Helicóptero é alvejado e 12 morrem em dia de violência no Rio

Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um helicóptero da Polícia Militar foi alvejado, ônibus foram incendiados nas ruas e 12 pessoas morreram, incluindo dois policiais, em um dia marcado pela violência no Rio de Janeiro, informaram autoridades de segurança do Estado neste sábado.

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Dez mortos seriam supostos traficantes, vítimas de confrontos entre facções criminosas rivais e com a polícia no Morro dos Macacos, na zona norte da capital fluminense, segundo a cúpula da segurança pública.

Outros seis policiais ficaram feridos, um deles em estado gravíssimo, e mais quatro pessoas foram atingidas por balas perdidas nos intensos confrontos na favela, localizada no bairro de Vila Isabel, que foi invadida de madrugada por traficantes de outra comunidade.

"Isso não pode ficar assim. Vamos fazer todos os esforços para revidar essa ação dos bandidos", disse a jornalistas o comandante da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte.

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, acrescentou: "É uma toa de desespero do tráfico, que está sufocado e perdendo espaço com as constantes ações da polícia. É resultado de uma perda financeira", afirmou.

Os dois policiais mortos nos confrontos estavam num helicóptero da PM que foi alvejado durante a operação no Morro dos Macacos. A aeronave, que não era blindada, tinha seis policiais a bordo quando foi acertada por tiros disparados por supostos traficantes.

O piloto foi forçado a realizar um pouso de emergência em um campo de futebol, após a aeronave começar a pegar fogo no ar. Quatro tripulantes conseguiram escapar, mas dois morreram dentro do helicóptero, provavelmente carbonizados, de acordo com a polícia.

Um policial que teve quase a totalidade do corpo queimada está internado em estado gravíssimo, disse o porta-voz da PM, major Oderlei Santos.

Horas após o incidente com o helicóptero, oito ônibus de transporte urbano foram incendiados por suspeitos traficantes em ruas da região, assustando passageiros que foram obrigados a descer dos coletivos às pressas.

Segundo comunicado da polícia, seriam "ações orquestradas pelos criminosos para facilitar a fuga". A polícia informou que três suspeitos foram presos.

De acordo com as autoridades de segurança do Estado, o serviço de inteligência da polícia tinha informações sobre a ameaça de invasão ao Morro dos Macacos, mas a PM não conseguiu impedir a ação dos traficantes rivais.

"Tínhamos informações de que poderia haver uma invasão. Deslocamos nosso pessoal. Impedimos uma parte, mas são muitas entradas e acessos possíveis ao Morro dos Macacos. Ele pode ser acessado por pelo menos quatro bairros", disse o coronel Duarte, ressaltando que o morro ficará ocupado pela polícia por tempo indeterminado.

A Secretaria de Segurança Pública informou que as férias e folgas de todos os policiais foram suspensas e que vai colocar um efetivo adicional nas ruas da cidade de 3.500 homens.

O Governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que a política de enfrentamento da polícia do Rio não será alterada e o prefeito Eduardo Paes classificou as ações dos traficantes de "inadmissíveis".

Esse é o pior caso de violência na cidade nos últimos meses e acontece apenas duas semanas após o Rio ter sido escolhido a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

(Reportagem adicional de Eduardo Simões; Texto de Pedro Fonseca)

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