Cuba está na retaguarda do cinema, com uma política de estilo soviético, paralisada como um fóssil, afirmou hoje o cineasta cubano Pavel Giroud que apresenta em Madri seu filme Omertá.

"A maneira como a cinematografia esta desenhada em Cuba é igual a soviética. Hoje é inoperante. Foi um dinossauro feroz e agora é um dinossauro velho, um fóssil, que também é o reflexo do país, da situação que se vive ali", explicou o cineasta à Agência Efe.

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O cineasta cubano Pavel Giroud

Giroud (1972), que reconhece ter influências de autores tão diferentes como os irmãos Coen e Almodóvar, é o diretor e roteirista de "Omertá", um filme de 2008 apresentado agora na Casa da América de Madri.

O longa, que poderia ser traduzido como "a lei do silêncio" da máfia, conta a história do velho Rolo Santos, que foi guarda-costas de um gângster estabelecido em Cuba nos anos 1950 e que acabou tragado pela Revolução, sem jamais chegar a compreendê-la.

Um dia, seu antigo chefe o chama de novo para uma missão na qual ele deve voltar a fazer "a único coisa que sabe fazer", segundo um primitivo código de honra que, no entanto, encerra todo um sistema de dignidade.

"A crítica oficial pulverizou o filme. Os órgãos de imprensa oficiais bateram nele com tudo, inclusive no argumento e na produção artística. No entanto, no circuito de críticos jovens, alternativos, nos blogs de reflexões sobre cinema, ele teve uma recepção muito boa", afirmou.

Para o jovem cineasta cubano (reconhecido internacionalmente por seu filme anterior, "A idade da peseta"), ao contrário do que ocorre na América Latina, onde o cinema "se encontra em seu melhor momento, sobretudo por sua pluralidade", Cuba "está na retaguarda".

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Cena do filme "Omertá", lançado por Pavel Giroud em 2008


Sobre a possibilidade de que os atuais cineastas cubanos pudessem refletir sobre a situação da dissidência, ele destacou que isso não seria tão difícil de fazer, mas sim complicado de exibir. No entanto, Giroud se manifestou contrário a se aproveitar do estado das coisas neste momento.

"Os artistas devem ser oportunos, não oportunistas. Aproveitar-se de uma situação política, social, econômica, para fazer uma obra e tirar um proveito ao momento é uma atitude oportunista e isso leva a um panfleto. Não me interessa", insistiu.

Segundo Giroud, o que fez mais dano a Cuba foi "o enfrentamento entre duas posições muito radicais, entre as quais nunca vai haver uma negociação possível".

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