Harold Pinter, pilar do teatro britânico e intelectual engajado

Harold Pinter, Prêmio Nobel de Literatura 2005 falecido nesta quarta-feira, aos 78 anos, era a espinha dorsal do teatro britânico e um ativista antibélico muito crítico em relação aos governos de Londres e Washington.

AFP |

O autor de 32 obras, entre elas "The Birthday Party" ("A festa de aniversário"), "The Homecoming" ("Volta ao lar") e "The Dumb Waiter", também foi poeta, ator, roteirista e ativista político extremamente engajado.

Mas foi, antes de tudo, uma força criativa do teatro de seu país, onde se impôs com um inequívoco estilo feito de pausas, modismos e jogos de palavras para tentar esclarecer as personalidades dos protagonistas de suas obras.

Para Pinter, o silêncio podia expressar, inclusive, mais violência que a palavra mais dura. Além disso, era conhecido por sua reticência para explicar suas obras.

O dramaturgo Alan Ayckbourn uma vez pediu a ele que explicasse um personagem de "The Birthday Party".

"Meta-se com a porra da sua vida", foi a resposta de Pinter.

Nascido no popular leste de Londres, em 1930, Pinter era filho de um alfaiate judeu e estudou na Hackney Downs Grammar School, onde tirou as melhores notas em inglês.

Em 1948, foi admitido na prestigiosa escola de interpretação londrina Royal Academy of Dramatic Art (RADA), mas a deixou depois de dois trimestres para se lançar aos palcos, com o pseudônimo de David Baron.

Enquanto trabalhava como ator em pequenos teatros, Pinter continuou escrevendo e sua primeira obra, "The Room", de um só ato, foi lançada em 1957.

Escreve em 1958 o que considerava sua primeira peça teatral completa, "The Birthday Party", que, num primeiro momento, desconcertou o público e a crítica. Depois de ficar apenas cinco dias em cartaz, a obra foi cancelada por causa das péssimas críticas.

Nos anos seguintes, porém, suas obras foram mais bem aceitas, apesar de ele não mudar de estilo. A consagração veio com "The Caretaker" (1960) e "The Homecoming", que o catapultou para a fama.

Sua reputação se consolidou nos anos 1970. No terreno pessoal, o autor também se divorciou nessa época de sua primeira mulher, a atriz Vivien Merchant, com quem teve um filho, e se casou com a historiadora Lay Antonia Fraser, em 1980.

Esse segundo matrimônio intensificou seu interesse por política. Dessa forma, Pinter se tornou, na década de 1980, uma voz crítica contra a política do ex-presidente americano Ronald Reagan e da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

Esse interesse se refletiria em suas obras seguintes, principalmente "One For The Road" (1984), "Mountain Language" (1988) e "Ashes To Ashes" (1996).

Apesar de sua fama, Pinter rejeitou o título de Sir que a rainha Elizabeth II queria conceder a ele e, em 2005, usou seu discurso na entrega do Prêmio Nobel para definir a guerra no Iraque como uma "ação de bandidos".

No entanto, aceitou a Legião de Honra da República Francesa em 2007.

Em 2005, Pinter anunciou que deixava de escrever obras de teatro para se concentrar na poesia e realizar incursões na interpretação e elaboração de roteiros.

Depois de receber tratamento por um câncer de esôfago diagnosticado em 2002, voltou à cena, conseguindo críticas muito favoráveis por sua interpretação do monólogo de Samuel Beckett "A última fita", em 2006.

kah/cn

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