Haddad aprova proposta de obrigatoriedade do Enem

A partir do ano que vem, todos os estudantes da rede de educação pública podem ser obrigados a fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Atualmente, a participação na prova é voluntária.

Agência Estado |

A proposta foi aceita hoje pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante reunião com membros do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) para definir as novas diretrizes do Enem para 2010. Segundo a proposta, só aqueles que fizerem a prova e tirarem notas acima de uma média estipulada pela secretaria de cada Estado terão acesso ao diploma do ensino médio.

De acordo com a presidente do Consed, Maria Auxiliadora Seabra, "o maior avanço da proposta é que o exame passará a ser uma base de comparação, de estatística, para avaliar o ensino das escolas públicas e monitorar o desempenho dos alunos". No entanto, para a medida entrar em vigor, o ministério deve avaliar se todos os estudantes do País têm acesso aos locais onde serão realizadas as provas. Haddad pediu um exame de logística para conferir a viabilidade da proposta. "O exame não é realizado em todas as escolas. Temos de conferir se há orçamento para financiar transporte e alimentação dos alunos", explicou Seabra.

O Ministério da Educação (MEC) e o Consed também aprovaram hoje as modificações por que passará a prova do Enem no ano que vem, divulgadas à imprensa ontem. O novo formato da prova deve ser mais focado na compreensão de problemas e vai banir questões que requerem a memorização de datas históricas ou fórmulas matemáticas. Outra decisão é o fim das questões com "pegadinhas", ou seja, que possam confundir os alunos, como anunciou ontem o ministro.

De acordo com Haddad, os conteúdos cobrados na prova serão os mesmos ensinados pelas escolas públicas no ensino médio. A diferença, definida em uma reunião realizada ontem entre reitores e o MEC, será na quantidade, menor, e na forma de desenhar as questões. "O que a matriz de conteúdos e habilidades vai dizer é 'o conteúdo é esse e vamos abordá-lo assim'", disse o ontem o ministro. "Mas vai deixar claro que o conteúdo é o atual, que está na estrutura curricular da maior parte dos Estados hoje."

Currículo

Haddad disse que o novo Enem não poderá ser aplicado durante o período de aula e terá datas e locais confirmados previamente. A proposta é que o exame faça com que o currículo do ensino médio norteie as provas de acesso ao ensino superior e não o contrário, como Maria Auxiliadora acredita que esteja acontecendo. "Por meio do novo exame, será possível sentar à mesa com as universidades e propor mudanças tanto nos vestibulares como nos currículos dos cursos. Os professores devem estar adaptados ao conteúdo cobrado pelo novo Enem", afirmou.

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