O ministro da Justiça, Tarso Genro, avaliou hoje que há um ataque frontal à corrupção em todos os níveis, atingindo quadros políticos e outras categorias na mesma proporção. No entanto, quando os envolvidos têm vínculos políticos, os casos ganham maior divulgação, afirmou o ministro, que considerou esta reação natural.

Ele citou, como exemplo, que a Polícia Federal realiza diariamente apreensões de toneladas de drogas e isso não tem a mesma repercussão na imprensa.

Embora a repercussão dos casos envolvendo políticos seja natural, na visão do ministro, deve ser feita uma advertência. "Não é verdade que a política esteja podre no Brasil", comentou. "O que há é um ataque frontal à corrupção em todos os níveis", complementou, durante palestra em encontro da Federação das Associações Empresariais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul).

Tarso defendeu que houve uma mudança na condução da Polícia Federal sob sua gestão à frente do ministério. Determinados grupos na PF estabeleciam relações privilegiadas com setores da imprensa e ofereciam acesso a ações da entidade, conforme narrou. "Essa falta de neutralidade em relação à própria imprensa levou a um processo de partidarização e politização da PF, que foi extinto", declarou. O ministro disse que a PF estabeleceu normas para o cumprimento de mandados e a operação Caixa de Pandora - deflagrada na sexta-feira contra fraudes em licitações no Distrito Federal - é exemplo destas mudanças.

Nela, os mandados foram cumpridos com presença de representantes do Ministério Público Federal e a portas fechadas para recolher documentos, descreveu o ministro. "Foi um exemplo de operação discreta, correta, dentro dos padrões legais", elogiou Tarso, que listou, na palestra, as características que deve ter uma "polícia republicana". Uma delas deve ser a de que a polícia "não julga nem personaliza", citou ele, dizendo que, da PF, são exigidos relatórios objetivos. "Conseguimos acabar com a pirotecnia que às vezes acompanhava o trabalho de determinados delegados", afirmou.

Em entrevista, Tarso considerou que casos como o escândalo envolvendo o governo de José Roberto Arruda (DEM) no Distrito Federal irão se repetir enquanto o Brasil não adotar reforma política e financiamento público de campanha. O financiamento público estava incluído em projeto de reforma enviado pelo governo ao Congresso, mas ele não foi votado, lamentou o ministro. O controle online dos gastos dos candidatos permitiria detectar qualquer entrada estranha de valores, possibilitando punir candidatos, e não políticos eleitos, argumentou o ministro. "Isso reduziria drasticamente o grau de achaque que os políticos fazem em relação aos empresários e o grau de corrupção ativa dos empresários sobre os políticos", afirmou.

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