H1N1 pode estar substituindo vírus da gripe comum--ministério

Por Hugo Bachega SÃO PAULO (Reuters) - O vírus H1N1 pode estar substituindo o vírus da gripe comum, afirmou nesta sexta-feira o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage. Segundo ele, 60 por cento dos exames positivos para gripe desde abril apontaram para o vírus H1N1.

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"O que isso pode indicar é uma possível substituição do vírus", disse Hage, de acordo com o ministério, ao comentar sobre a taxa de gripe causada pelo vírus H1N1 no país.

"Ele (vírus H1N1) aparentemente pode passar a predominar no cenário e outro vírus (da gripe comum), deixar de circular", afirmou ele.

Segundo Hage, a taxa de mortalidade em relação ao total de pacientes graves é de 12,8 por cento no país.

A pasta indicou que mais de 60 por cento dos casos de nova gripe no Brasil estão concentrados em pacientes entre 20 e 49 anos. A idade média dos infectados é de 29 anos.

O ministério reiterou a recomendação para que pacientes em grupos de risco adiem viagens para países onde a transmissão é sustentada. A pasta também pediu que alunos com sintomas de gripe evitem retornar às aulas até que se recuperem.

Em Osasco e Campinas, cidades paulistas que registraram mortes pela doença, o reinício das aulas nas redes municipais foi adiada em uma semana, para 3 de agosto.

A medida, que afeta cerca de 100 mil estudantes, foi tomada para conter o avanço do vírus entre alunos e professores, informaram as prefeituras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunido em Assunção para a cúpula do Mercosul, pediu que o bloco conclua um plano com estratégia sobre demanda e distribuição de uma vacina contra a gripe H1N1 na região.

Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que também participou do encontro no Paraguai, a iniciativa é um importante mecanismo para se adotar medidas regionais contra a doença.

"Devemos discutir as reais necessidades e mapear as capacidades tecnológicas e industriais de nossos países", afirmou Temporão, de acordo com nota do ministério.

O Instituto Butantan, em São Paulo, é o único da região com capacidade tecnológica para produzir uma vacina contra o vírus, que deve estar pronta para uso no Brasil no ano que vem.

MORTOS VÃO A 33

O número de mortos pela nova gripe no país chegou a 33 com a confirmação de quatro vítimas no Estado de São Paulo.

Na capital, foi confirmada a morte de uma menina de 4 anos com histórico de problemas respiratórios. O óbito foi no dia 19, informou a Secretaria Estadual de Saúde.

Também na cidade de São Paulo morreu um homem de 58 anos que possuía graves problemas hepáticos. O paciente foi internado no dia 1o e faleceu no dia 21.

Em Campinas, foi confirmada a morte de uma mulher, de 37 anos, a primeira registrada na cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, há cinco outras mortes sob suspeita de terem sido provocadas pela nova doença.

A pasta informou que a vítima não havia visitado nenhum país onde a transmissão do vírus é sustentada e também não pertencia ao grupo de risco -- gestantes, obesos ou com doenças anteriores ou em tratamento.

A outra morte pela nova gripe foi confirmada em uma mulher de 20 anos, grávida de sete meses. Moradora de Cosmópolis, ela foi internada em Campinas no dia 17 e faleceu no dia 21.

Com as novas mortes em São Paulo, o número de vítimas no Estado subiu para 16. Rio Grande do Sul teve 11 óbitos, Rio de Janeiro cinco e Paraná uma morte.

Nesta sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a pandemia de gripe H1N1 já se espalhou para cerca de 160 países e matou aproximadamente 800 pessoas.

Oito países têm transmissão sustentada do vírus. Além do Brasil, estão nesta lista Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Estados Unidos, México e Reino Unido, segundo dados do Ministério da Saúde.

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