H1N1 faz 1a morte entre índios e Funai proíbe acesso a aldeias

SÃO PAULO (Reuters) - A gripe H1N1 teve sua primeira vítima entre índios brasileiros confirmada nesta quinta-feira, e a Funai decidiu suspender a entrada de não-índios em comunidades para frear a disseminação do vírus. A primeira vítima entre índios no Brasil foi registrada em uma aldeia em São Vicente, no litoral paulista. Segundo a Secretaria de Saúde do município, um bebê de três meses morreu no dia 7 de agosto, após quatro dias de internação.

Reuters |

O órgão informou que outras quatro pessoas sob suspeita de contaminação pela nova gripe estão sendo monitoradas na aldeia Paranapuã, formada por cerca de 60 pessoas.

Outra morte entre indígenas no Estado do Pará está sob investigação, informou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Para conter a disseminação do vírus entre índios, a Fundação Nacional do Índio (Funai) suspendeu todos os processos de autorização de entrada de não-índios em terras indígenas.

A medida foi tomada após a confirmação de sete casos de gripe H1N1 entre índios isolados na Amazônia peruana.

Nesta quinta-feira, o número de óbitos pela nova doença no Brasil chegou a 277, com a confirmação da sexta morte em Santa Catarina.

Na quarta-feira, o Estado de Rondônia havia registrado a primeira vítima do vírus H1N1 na região Norte, em um paciente de 23 anos.

VACINAÇÃO CONTRA PÓLIO É ADIADA

O Ministério da Saúde adiou em quatro semanas a segunda etapa da vacinação contra a poliomielite, inicialmente prevista para 22 de agosto. A medida afeta cerca de 14,7 milhões de crianças que devem ser imunizadas.

A decisão visa evitar a sobrecarga maior dos serviços básicos de saúde, responsáveis por atender pacientes suspeitos de gripe H1N1, e contribuir para que a vacinação ocorra em um cenário mais tranquilo, informou o ministério em nota.

"Embora nem todos os Estados apresentem sobrecarga no sistema de saúde por causa da Influenza A, optamos por adiar a campanha de vacinação em todo o país", explicou o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Gerson Penna, de acordo com a nota.

Segundo previsão da pasta, deve haver uma queda "significativa" no número de casos da nova gripe, especialmente com o fim do inverno no país.

SINAIS DE QUEDA NO RJ

No Rio de Janeiro, o avanço da doença pode estar dando os primeiros sinais de desaceleração, afirmou o secretário Estadual de Saúde, Sérgio Côrtes.

Segundo ele, a procura nos locais de atendimento criados para atender pacientes com suspeita da nova gripe teve queda de cerca de 20 por cento.

"É óbvio que o tempo tem ajudado, com dias de sol, dias bonitos. Vamos aguardar até o próximo domingo, quando nós vamos ver efetivamente se está havendo um decréscimo do número de casos da gripe suína no nosso Estado", afirmou.

No Rio de Janeiro, 37 pessoas morreram em decorrência da nova gripe, sendo nove gestantes. O Ministério da Saúde considera gestantes, idosos, obesos ou pacientes com doenças anteriores ou em tratamento como grupo de risco para a nova doença.

"Já começamos realmente a comprovar estatisticamente um acometimento nas grávidas, uma forma mais grave nas grávidas da gripe suína quando comparada à gripe sazonal nas gestantes", disse Côrtes. "A grande questão ainda continua sendo um forte investimento nas gestantes".

Dados do Ministério da Saúde divulgados na quarta-feira indicam que, dos 192 óbitos registrados até 8 de agosto, 28 eram gestantes.

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio informou ainda que estuda dobrar a dosagem de Tamiflu aos pacientes de gripe H1N1 que estejam em estado grave.

(Por Hugo Bachega, com reportagem de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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