O Ministério Público Federal (MPF) reagiu à possibilidade do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), obter na Justiça o direito à prisão domiciliar. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou hoje que é contrário a uma prisão domiciliar e que Arruda vive em condições dignas na cela da Polícia Federal.

O estado de saúde do governador afastado virou disputa entre seus advogados e os investigadores do "mensalão do DEM" em Brasília. O ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STF), deferiu o pedido da defesa de Arruda para que ele receba a visita de seu médico particular na cela da PF, onde está preso desde 11 de fevereiro.

O pedido foi feito ontem pelos advogados de olho num laudo médico que comprovaria que Arruda não tem condições de permanecer preso na cela da PF. A defesa trabalha com a possibilidade de pedir uma prisão domiciliar ou transferi-lo para uma clinica particular em caráter de preso. Chamada de "masmorra" pelos advogados de Arruda, a cela possui ar condicionado, frigobar, sofá, beliche e escrivaninha com cadeira acolchoada.

A alternativa de uma detenção domiciliar ganhou elementos na ontem, depois que Arruda foi parar no hospital com a suspeita de trombose e problemas com diabetes. Sua mulher, Flávia Arruda, o visitou hoje e voltou a reclamar das condições do marido na prisão. Na saída, disse aos jornalistas que não vê problema no vídeo em que Arruda recebe R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema. "Não me surpreende em nada porque eu sei que todo mundo recebe, e que a política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para a campanha", disse Flávia. "O dinheiro dele está declarado", completou.

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