Günter Grass lança diário do ano da reunificação alemã

Berlim, 5 jan (EFE).- O Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass lançará, no final deste mês, seu diário do ano da reunificação alemã, sobre a qual teve e segue tendo uma atitude crítica, informou a editora Steidl.

EFE |

"Unterwegs von Deutschland nach Deutschland" (No caminho da Alemanha à Alemanha) é o título do livro que recolhe as anotações de Grass de 1990, anunciado no catálogo de novidades da Steidl para o primeiro trimestre de 2009.

Durante 1990, que teve seu ponto culminante em 3 de outubro quando se selou a reunificação da Alemanha, Grass percorreu constantemente as duas partes do país e em várias ocasiões manifestou sua convicção de que uma reunificação rápida traria decepções e desconfiança a longo prazo.

O catálogo da Steidl inclui alguns extratos do livro que documenta essa postura de Grass, que mais tarde encontraria expressão literária em seu romance "Um Campo Vasto", de 1995.

Em uma anotação de 30 de janeiro, por exemplo, Grass se pergunta se será possível fazer frente à "suposta convicção popular" de que a reunificação deveria se realizar o mais breve possível.

"Pelo menos os políticos de certas tendências deveriam saber que, embora uma reunificação rápida seja possível, ela custaria desconfiança e uma longa brecha (entre as duas partes da Alemanha)", conclui Grass.

Em março, Grass prevê -de Cottbus, no leste alemão- conseqüências negativas da união monetária entre as duas metades do país e diz que os orientais gastarão seus marcos ocidentais em viagens ao oeste e em produtos ocidentais, o que não apoiaria a então castigada economia da agonizante Alemanha Oriental.

"Pelo contrário, os bens produzidos aqui se tornarão impossíveis de vender e muitas empresas quebrarão, inclusive algumas que de outro modo poderiam se salvar", escreve Grass.

Na capa do livro aparecem dois gafanhotos, desenhados pelo próprio Grass, que seguramente fazem alusão a uma frase do atual presidente do Partido Social-Democrata (SPD), Franz Müntefering, que comparou certo tipo de investidores com esses insetos, que chegam a um país como uma praga e, após arrasar com tudo, voltam.

No caso do diário de Grass, os gafanhotos são os empresários ocidentais que aproveitaram para adquirir empresas da extinta Alemanha Oriental a "preço de banana" para depois desmontá-las.

Paralelamente ao diário de Grass, a editora Steidl lançará uma coleção de ensaios e discursos do Prêmio Nobel sobre a reunificação.

Grass defendeu, então, a idéia de que, antes de fechar o processo de reunificação, deveria se dar tempo à Alemanha Oriental para regenerar sua economia.

Além disso, Grass, que na juventude integrou a SS nazista, era partidário de que a Alemanha assumisse uma nova constituição depois da reunificação em lugar de impor ao lado oriental a constituição da Alemanha Ocidental. EFE rz/jp

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