O guia Roteiros Turísticos da Região Sul da Cidade de São Paulo, lançado esta semana, inicia a fase mercadológica de um projeto que busca divulgar uma área de florestas, rios de águas limpas e povoado de cachoeiras, além de arquitetura histórica, que muitos paulistanos nem imaginam existir em seu próprio município. A divulgação do catálogo inicia a fase mercadológica do projeto.

A partir de agora, o turismo na região irá aumentar", diz Luis Rogério Muniz, gerente do Escritório Regional Capital Sul do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entidade que lidera o projeto turístico na região das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Bororé-Colônia e Capivari-Monos. A iniciativa alimenta a esperança de moradores locais, que vivem em uma das regiões mais pobres da capital paulista.

Muniz explica que a proposta do Programa de Desenvolvimento do Turismo Receptivo é aproveitar todo o potencial turístico e "profissionalizar" a atividade na região. "Ampliamos a visão de negócio dos moradores para que eles possam dizer: "Temos um diferencial que vamos explorar conscientemente para que gere emprego e renda", afirma. Segundo ele, o Sebrae reuniu pequenos empresários, moradores e parceiros para montar um plano estratégico sustentável no local voltado para o turismo.

Técnicos da entidade, conta Muniz, visitaram as propriedades e sugeriram mudanças na infraestrutura e novas ideias de passeios. Além disso, o projeto envolve cursos de treinamento a moradores para a recepção e segurança dos visitantes e conservação da fauna e da flora das APAs. "Muitas propriedades já exploravam o turismo, mas não na sua totalidade. Eles não conseguiam um fluxo ordenado. Em muitos lugares, a comunidade não tinha nem infraestrutura básica para receber o turista", afirma Muniz.

O gerente do Sebrae já comemora as mudanças implementadas. "Temos lá banheiros adequados e locais próprios para refeições, com cozinhas especializadas e higienizadas", afirma. Porém, o processo para aplicar estas novas medidas é lento e, por isso, diz, o guia só está sendo lançado depois de aproximadamente seis anos do início das conversas.

Dono de uma pousada localizada na APA Capivari-Monos - nome ligado a dois rios da região -, no distrito de Marsilac, o empresário Roberto Carlos da Silva, dono de uma pousada, diz que as mudanças foram "radicais". "A comunidade sentiu agora que pode ganhar dinheiro. Muitos não tinham esperança quanto à questão da renda, porque lá estamos isolados. O turismo é o caminho para o desenvolvimento da região", afirma. Ele conta que, após a diversificação dos passeios e a formatação dos roteiros turísticos, já se pode notar um aumento de 20% no número de visitantes. "Tenho novos clientes."

Segundo o empresário, os passeios estão "harmonizados" entre os inúmeros proprietários da região. "Se o turista sai de uma propriedade e vai fazer um passeio em outra, hoje sabemos que ele estará seguro, que não vai atolar o carro ou ter qualquer imprevisto ruim, pois conta com segurança, policiamento e guias preparados", afirma. Silva diz que a tendência do fluxo de turistas - estimado por ele em 120 mil por ano atualmente - é aumentar a partir de agora.

Benefícios

Silva destaca também os benefícios nas áreas de transporte, educação e saúde que chegaram ao extremo sul do município após a implementação dos novos planos. Segundo ele, as estradas que levam o paulistano do centro da cidade à região passaram por recapeamento e agora estão sob manutenção periódica. De acordo com ele, o caminho também já possui placas de sinalização e um posto de informações foi construído.

O empresário chama atenção ainda para implementação do transporte escolar na região. "Muitos pais nem deixavam seus filhos irem à escola porque alguns tinham que caminhar duas, três horas no meio da mata. Na saúde, não existia nada. Se desse um resfriado em uma criança, ela podia até morrer de pneumonia porque o médico mais próximo ficava a 25 quilômetros, no caso de alguns moradores." Ele diz que hoje a população local conta com assistência médica de programas sociais e visitas de agentes de saúde.

O presidente da Associação dos Monitores Ambientais (Amoapa), e também guia há mais de dez anos, Giuliano Alberto Prado, afirma que o lançamento do catálogo dará mais visibilidade à região e "certamente" vai aumentar o número de visitantes. Por isso, os guias fundaram a Amoapa para organizar a categoria e realizar treinamentos com foco no turismo. De acordo com ele, os cursos ensinam os guias a agir em caso de acidentes e mordidas de animais peçonhentos, recepção e condução de grupos nos passeios, preservação ambiental e história local.

Fiscalização

Apesar das melhorias implementadas para a recepção de turistas nas APAs Bororé-Colônia e Capivari-Monos, a região ainda tem problemas para serem resolvidos. Segundo Prado, é necessário um reforço no policiamento civil e ambiental na área. Ele conta que os moradores ajudam a denunciar construções ilegais no local e crimes ambientais. No entanto, o número de fiscais é muito pequeno, o que dá margem para degradação. Ele diz que esta tarefa está a cargo do Grupo Especial de Proteção Ambiental, da Guarda Civil Metropolitana (GCM). "Polícia aqui raramente aparece", afirma. "Este é o principal ponto que ainda falta melhorar, a fiscalização preventiva."

Além disso, Prado reforça a necessidade de construção de mais postos de atendimento ao turista, já que, segundo ele, existe apenas um em toda a região. "Precisamos ter, por exemplo, um guia de plantão, para que o turista encontre sempre atendimento", afirma Prado. "Precisamos aproveitar. O lugar tem um potencial fantástico", diz.

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