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Guia divulga oásis gigante dentro da capital de SP

Imagine acordar ao som de pássaros, rodeado de centenas de quilômetros quadrados de mata atlântica, num cenário com castanheiras centenárias, orquídeas de cores variadas e bandos de saguis à procura de frutas caídas no chão. Pense também em uma programação para o dia: pescar pintados e tambaquis, praticar esportes de aventura ou passar um dia em uma aldeia guarani.

Agência Estado |

Agora acredite: esse "oásis" fica dentro da cidade de São Paulo - e não é pequeno. Sua área preenche nada menos que um quinto da dimensão do município. É para tornar essa reserva ambiental mais conhecida dos próprios paulistanos por meio do turismo sustentável que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou nesta semana o guia Roteiros Turísticos da Região Sul da Cidade de São Paulo.

O catálogo mostra que a capital brasileira dos congestionamentos, dos aranha-céus e do estresse guarda nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Bororé-Colônia e Capivari-Monos, localizadas nos distritos de Marsilac e Parelheiros, extremo sul da capital paulista, um território de 340 quilômetros quadrados, repleto de florestas com cachoeiras, fauna e flora dignas de cartão postal. Para se ter uma ideia da dimensão, o Parque Estadual da Serra da Cantareira tem 79 quilômetros quadrados de mata atlântica nativa.

Do Marco Zero da cidade, a Praça da Sé, o paulistano precisa percorrer cerca de 30 quilômetros para ter acesso à reserva - o equivalente a ir da capital a Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, por exemplo. Com o guia, o Sebrae abre a segunda fase do Programa de Desenvolvimento do Turismo Receptivo, que conta com apoio de parceiros locais. O programa nasceu em 2003 com o objetivo de organizar e intensificar o turismo local.

Potencial para atrair visitantes as APAs têm de sobra. Os roteiros divulgados no catálogo estão divididos em três tipos, Ecológico, Rural e Histórico-cultural, para que o turista possa ter contato tanto com as belezas naturais da mata atlântica quanto com os costumes e construções do início da colonização local. Lá estão edificações seculares erguidas pelos primeiros imigrantes europeus que chegaram ao Estado, há aproximadamente 180 anos, fazendas produtoras de flores e cogumelos shimeji e as nascentes que abastecem as represas Billings e Guarapiranga.

Em um fim de semana, o paulistano tem a oportunidade de chegar por balsa à Ilha do Bororé - que, em tupi-guarani, é o nome do veneno feito com plantas e colocado nas pontas das flechas para anestesiar animais - e conhecer sua pequena comunidade, onde está a Capela de São Sebastião, construída por imigrantes italianos em 1904, e o primeiro núcleo de colonização alemã do território paulista, fundado em 1829. Ou pode conhecer de perto o cultivo do cogumelo shimeji e de orquídeas acompanhado de monitores que explicam as técnicas de floração, colheita e armazenagem. Para quem gosta de pescaria, os lagos habitados por carpas, pacus, bagres e pintados são uma opção para o lazer em família, ainda mais com quiosques e churrasqueiras à disposição para uma refeição ali mesmo.

O guia, que será distribuído a agências de turismo e pode ser obtido gratuitamente nas unidades do Sebrae, sugere ainda passeios pela mata atlântica, que colocam o visitante em contato direto com a fauna e a flora locais. Uma das atrações mais procuradas é a cachoeira do Sagui e sua piscina natural de águas cristalinas. Já outro roteiro leva o turista a uma trilha de 2,1 quilômetros (ida e volta) pela floresta até um mirante com vista do Parque Estadual da Serra do Mar. Lá de cima, é possível enxergar as cidades de Itanhaém e Mongaguá, no litoral sul do Estado.

Custo

Os gastos do visitantes variam de acordo com o tipo e o número de atrações que deseja conhecer. Como grande parte dos passeios acontece dentro de propriedades particulares, o dono da área estipula o valor da entrada, geralmente não mais que R$ 15 por pessoa. Porém, segundo o empresário Roberto Carlos da Silva, dono de uma pousada no distrito de Marsilac, parte das propriedades não cobra ingresso pela visita, mas apenas pelos serviços oferecidos, como passeios guiados. Além disso, atrações como o Solo Sagrado - complexo voltado para a meditação e contemplação da natureza - e o cemitério alemão de Colônia, por exemplo, são grátis. Se o turista quiser contratar um monitor, deve procurar a Associação dos Monitores Ambientais (Amoapa), onde o guia cobra entre R$ 50 e R$ 70.

Há também agências de turismo que organizam roteiros. Em uma das agências de viagem citadas no catálogo, um passeio que inclui caminhada pelo Parque Estadual da Serra do Mar, visita à aldeia guarani, visitas às produções de cogumelo e plantas ornamentais e tour pelo bairro Colônia, para o turista conhecer as construções históricas dos imigrantes alemães e japoneses, sai a partir de R$ 190 por pessoa, incluídos transporte de ida e volta até em casa, alimentação, seguro e guias nos passeios. Dependendo do tamanho do grupo, há ainda a possibilidade de redução no preço.

De acordo com o Sebrae, o acesso à região é feito principalmente por automóvel, já que linhas de ônibus são restritas a algumas atrações, como o Solo Sagrado. O terminal urbano mais próximo da região é o de Varginha, no bairro Jardim Varginha.

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