BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou nesta quinta-feira, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que os familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia não devem integrar o grupo de trabalho que começará a fazer escavações na região, em agosto. A justificativa do ministro é que esses familiares fazem parte do processo.

Agência Brasil

Jobim apresenta projeto durante audiência pública

Jobim informou, no entanto, que será criado um comitê interinstitucional de supervisão desse grupo de trabalho. O comitê será formado por notáveis e por representantes da sociedade civil, com a missão de monitorar a atuação do grupo de trabalho, de receber informações e tomar depoimentos considerados necessários para a localização de ossadas.

O comitê terá também a função de recolher informações sobre as circunstâncias das mortes e propor medidas judiciais para aprofundar as buscas, inclusive com apreensão de documentos e realização de diligências. Caberá também ao comitê, segundo ele, cobrar relatórios parciais do andamento dos trabalhos.

A cronologia da atuação do grupo de trabalho, comandado pelo ministro Jobim, prevê quatro fases. A primeira, já encerrada, foi de levantamento de informações para o cumprimento da decisão da Justiça Federal, que deu 120 dias de prazo para a União localizar os corpos das vítimas da guerrilha e esclarecer as circunstâncias do confronto.

A segunda fase, que está prestes de ser concluída consiste no reconhecimento da região. Na terceira fase, de agosto a outubro, serão feitos os trabalhos de escavações para recolhimento de corpos ou despojos. A quarta e última fase, a partir de novembro, consistirá no trabalho de laboratórios de identificação de eventuais ossadas encontradas.

Jobim esclareceu também que as buscas se concentrarão em quatro sítios já identificados nessa segunda fase. Um deles fica na confluência dos rios Tocantins e Araguaia, conhecida como Bico do Papagaio; a segunda, na região de Bacaba, próximo ao Bico do Papagaia, o terceiro sítio fica numa reserva indígena próxima à Serra das Andorinhas e o quarto sítio e, talvez o principal, fica no município de Xambioá, em cujo cemitério já foram resgatadas 12 ossadas, duas delas já identificadas, de guerrilheiros.

Assista ao vídeo sobre os desaparecidos do Araguaia:

Veja também:

Leia mais sobre: Araguaia

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.