Grupos sem-teto ocupam prédios do INSS e da Caixa em São Paulo

SÃO PAULO - Movimentos sociais ligados a grupos de sem-teto realizaram nesta terça-feira cinco manifestações no País: quatro no Estado de São Paulo e uma no Espírito Santo. Os manifestantes reivindicam dos governos federal, estaduais e municipais uma política habitacional que atenda às famílias de mais baixa renda e destine recursos para mutirões, urbanização de favelas, regularização fundiária e moradia em áreas centrais.

Agência Brasil |

Das quatro ocupações realizadas em São Paulo, três foram lideradas pela União Nacional por Moradia Popular (UNMP): uma no prédio do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) na Rua Coronel Xavier de Toledo, no centro da capital paulista; outra em um terreno particular desocupado na Avenida do Cursino, na zona sul paulista; e uma terceira no prédio do INSS na cidade de Sertãozinho, que estaria desocupado há 30 anos.

A UNMP também coordenou a ocupação, feita por cerca de 200 pessoas, em um prédio do INSS em Vitória (ES).

As políticas de habitação são insuficientes para enfrentar o déficit do país, disse Evaniza Rodrigues, integrante da Secretaria Executiva da UNMP. Segundo ela, dados do Censo de 2005 revelam que o déficit habitacional no Brasil é de cerca de 7,9 milhões de famílias - mais de 1 milhão delas no estado de São Paulo.

Evaniza informou à Agência Brasil que a UNMP reivindica prédios desocupados do INSS e terrenos recebidos pelo instituto como pagamento de dívidas.

De acordo com Veronica Kroll, coordenadora do Fórum dos Cortiços, filiado à UNMP e responsável pela ocupação de cerca de 150 pessoas no prédio do INSS, no centro de São Paulo, a manifestação teve duas intenções: resolver o problema de um prédio do INSS na Avenida Nove de Julho e de um prédio da Caixa localizado na Praça Roosevelt, que estaria fechado há 20 anos.

Ficamos sabendo que tem uma ação cível no Ministério Público pedindo que o INSS transforme essas propriedades da Avenida Nove de Julho em moradia social, disse Veronica, depois de participar de uma reunião com representantes do INSS. Segundo ela, há dificuldade na Caixa, que não se pronunciou sobre o prédio da Praça Roosevelt.

Apesar da falta de entendimento com a Caixa, o prédio do INSS no centro da capital foi desocupado pacificamente por volta das 16h.

A quarta manifestação em São Paulo ocorreu na sede da Caixa, no centro da capital, e foi liderada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Segundo nota do MTST, a ocupação, contou com a participação de 500 pessoas e começou às 11h.

O MTST pede uma política de desapropriação de terrenos urbanos ociosos e verbas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para uma política de habitação que priorize as famílias de baixa renda.

A intenção era que a Caixa se envolvesse no problema das ocupações em São Paulo e garantisse a compra de terrenos e financiamentos para construção de casas, disse Guilherme Castro, um dos líderes do movimento.

Castro disse que houve confronto com policiais militares durante a desocupação. Segundo o integrante do MTST, os PMs teriam usado cassetetes e gás de pimenta para retirar os manifestantes do prédio da Caixa. Ainda de acordo com ele, o confronto resultou em dez pessoas feridas - entre elas, uma grávida de nove meses.

A Caixa e a assessoria da Polícia Militar negaram o confronto e garantiram os cerca de 150 manifestantes desocuparam o local pacificamente.

O MTST e a Caixa acertaram a realização de reunião, ainda nesta semana, para discutir as reivindicações. Além dos líderes do movimento, devem participar do encontro representantes de três superintendências da Caixa (Santo Amaro, Campinas e Grande ABC), das prefeituras locais e possivelmente do Ministério das Cidades e do governo de São Paulo.

De acordo com Guilherme Castro, caso a reunião não ocorra até o final desta semana, novas ocupações terão início na semana que vem.

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