Grupos que abrem carnaval vão ao MP contra SPTuris

Os dois grupos de afoxé que abrem o carnaval paulistano decidiram recorrer ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para reagir contra o que consideram uma discriminação que já dura anos, mas agora, segundo seus organizadores, ameaça expulsá-los definitivamente dos desfiles. O Afoxé Iyá Ominibu e o Afoxé Filhos da Coroa de Dadá acusam a São Paulo Turismo (SPTuris), da Prefeitura, de asfixiá-los nos últimos anos com uma redução sistemática de verbas, que só do ano passado para cá teria atingido 60%.

Agência Estado |

"Estão tentando eliminar os afoxés do carnaval de São Paulo", diz Mário de Campos França, do departamento jurídico do Afoxé Iyá - mas ele diz que não há risco de os desfiles serem suspensos este ano. A SPTuris nega discriminação.

França diz que os recursos foram reduzidos de R$ 50 mil para R$ 20 mil este ano. A briga não é nova. Desde 1998 os afoxés desfilam no carnaval paulista por força de liminares com objetivo de obter verbas, segundo França. Mas a redução drástica de recursos, diz ele, começou em 2006. Até então, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) era o órgão responsável pela divisão da verba repassada pela Prefeitura, mas depois a SPTuris passou a concentrar os recursos e fazer a distribuição.

O presidente do Afoxé Filhos da Coroa, Gilberto Antonio Ferreira, também se queixa da forma de pagamento. "Nós vamos receber a última parcela só depois do carnaval." Ele disse que a falta de dinheiro alterou os planos para o desfile. "A minha bateria não sairá completa, porque não tenho dinheiro para comprar os instrumentos. As fantasias estão inacabadas. Mas nós estaremos lá mesmo assim", afirmou Ferreira.

O presidente da SPTuris, Caio Carvalho, confirma o corte mas diz que a medida foi tomada como parte de um acordo feito com a Liga-SP e que a denúncia de discriminação é "absurda". "É uma acusação por conta de dinheiro, uma forma de nos pressionar. Eles querem mais dinheiro." Segundo ele, os dois grupos reivindicam um repasse de R$ 70 mil. "Como a Liga ficou impossibilitada de fazer o repasse, ela entrou em consenso com as escolas afiliadas sobre o valor deste ano e ficou definido que cada grupo receberia R$ 21 mil em 2009."

'Esfarrapados'

Os grupos alegam que discutiram o problema com a Liga-SP, mas foram informados "que a decisão era da SPTuris e não haveria mudanças", relatou Ferreira. A reportagem procurou representantes da Liga-SP, mas não recebeu retorno sobre os pedidos de entrevista. Além da representação no MP, foi aberto um inquérito policial, com a mesma acusação de discriminação, que tramita na 13ª Delegacia de Polícia da Casa Verde, na zona norte da capital paulista.

Neste processo, os grupos também acusam uma ex-diretora da SPTuris de racismo e de ter dito que os afoxés "não acrescentavam nada" ao carnaval de São Paulo. "Não faz parte do dicionário da empresa a palavra discriminação. Ela (a ex-diretora) será ouvida no inquérito policial, mas não há prova nenhuma da acusação", afirma o presidente da SPTuris.

O MP-SP informou que a representação protocolada pelos afoxés está na Vara Criminal de Santana e deverá ser distribuída para o promotor na próxima semana. Mesmo com a redução do montante, os grupos dizem que estarão na passarela do samba às 21 horas nos dias 20 (Afoxé Iyá Ominibu) e 21 (Afoxé Filhos da Coroa de Dadá). "Faremos o carnaval dos esfarrapados", disse França.

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