A liberdade de expressão tornou-se uma das principais discussões do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, que se realiza em São Paulo. Convidado a falar sobre liberdade de imprensa e como isso implica na democracia e na regulamentação da publicidade, o presidente do conselho de administração do Grupo Abril, Roberto Civita, fez duras críticas às agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo ele, a solução para problemas sociais de grande complexidade não deveria se limitar às proibições de anúncios.

"A publicidade é parte principal das economias livres e o que proporciona o alargamento das nações", disse. "No tripé da comunicação, a publicidade é um dos pilares da imprensa livre e independente. Sem publicidade, não existiria uma imprensa vigorosa", acrescentou.

Outro palestrante, o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, também criticou as tentativas de cerceamento da liberdade de expressão, tanto da imprensa quanto da publicidade. "Hoje, há muitas tentativas de relativizar a liberdade de expressão. Há uma propensão de ver o cidadão como alguém que precisa de tutela para decidir entre o certo e o errado."

Para ele, há uma "sanha regulatória" no País. "Poucos acreditam que podem julgar por muitos. É o caso do Ministério Público, que viu propaganda eleitoral antecipada em entrevistas com candidatos à Prefeitura de São Paulo na Folha, no Estadão e na Veja."

O próprio advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, defendeu a liberdade na propaganda. "O Estado não tem de tutelar, tem de dar mecanismos para as pessoas se defenderem também a partir da própria propaganda. Já expressei isso a ministros da Saúde e ao próprio presidente da República", afirmou Toffoli. "As restrições podem surtir efeitos, mas não tão pedagógicos quanto os meios de educação."

Criatividade

Outra comissão de discussões bastante concorrida ontem foi a que debateu a criatividade brasileira na propaganda. As discussões resultaram no que o publicitário Nizan Guanaes, coordenador da comissão, batizou de "Manifesto Bossa Nova por uma Criatividade Mundial".

Para ele, o Brasil deve abraçar a criatividade nacional da mesma forma que os italianos abraçaram o design. "Somos um País criativo e podemos vender criatividade", disse Guanaes, sob aplausos de uma platéia lotada. "Não podemos nos contentar em ser apenas o País das commodities."

Animado com as perspectivas que o mercado mundial oferece para os profissionais brasileiros no exterior, o palestrante PJ Pereira, presidente da Pereira & Odell, empresa de estratégias digitais do Grupo ABC, de Nizan Guanaes, com sede na Califórnia, deu exemplos de como esse reconhecimento do País pela sua criatividade poderia acontecer.

"Amsterdam, na Holanda, e Estocolmo, na Suécia, são hoje pólos de criatividade global de onde têm saído as mais criativas campanhas em cartaz", disse. "A razão para isso é simples: eles se abriram para os profissionais de todo mundo, e lá também há brasileiros atuando.Temos de fazer o mesmo: trazer talentos de fora e assumir um papel relevante na publicidade global, e não nos fecharmos." As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Fabiane Leite

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.