SÃO PAULO - O grupo armado que, na manhã de domingo, roubou quatro obras de arte de uma casa nos Jardins usou um vaso de flores para simular uma entrega do Dia das Mães e, assim, conseguir entrar no imóvel. As informações são da Polícia Civil, que investiga o caso.

De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública, a quadrilha entrou na residência de Ilde Maksoud, ex-mulher de Henri Maksoud - proprietário do hotel que leva o nome da família - localizada na Rua Estados Unidos, e levou os quadros Cangaceiro (1956) e Retrato de Maria (1934), de Cândido Portinari, a Figura em Azul (1923), de Tarsila do Amaral e Crucificação de Jesus, de Orlando Teruz. Especialistas avaliam as obras em cerca de R$ 3,5 milhões.

Futura Press
Cangaceiro
A tela "Cangaceiro", de Candido Portinari, uma das obras roubadas

A polícia informou que o vigia da casa, que disse trabalhar no local há um ano e meio, afirmou que, por volta de 9h20, um homem em uma Fiorino branca parou em frente ao portão e mostrou um arranjo de flores, que seria entregue à proprietária da casa. Com isso, ele rendeu o vigilante e abriu o portão para que os demais assaltantes entrassem.

Uma comerciante de 54 anos contou à polícia que foi ao local para visitar a sogra e observou que o cachorro da casa, um pastor alemão, estava solto. Um homem desconhecido afirmou que ela poderia entrar.

No interior da casa, a mulher encontrou cerca de 20 homens. Eles a levaram param o quarto de empregada, onde mais quatro funcionários e a dona da casa, uma senhora de 80 anos, eram mantidos reféns. Eles ficaram por cerca de uma hora presos.

O vigia disse à polícia que três dos assaltantes usavam roupas com escritas da Polícia Federal.

Os bandidos reviraram toda a casa e levaram também um relógio Cartier e um celular, além de quantia em dinheiro. Eles quebraram a base de uma escultura do artista Victor Brecheret (1894-1955) , mas não conseguiram levá-la.

No roubo, os ladrões cortaram as pinturas de seus chassis deixando nas paredes da casa apenas as molduras vazias. Fizeram isso, provavelmente, para poder enrolar as telas e transportá-las. "É motivo de muita tristeza saber dessa agressão a obras que são patrimônios brasileiros", diz João Candido Portinari, filho do pintor.

Já o diretor da Bolsa de Artes do Rio, Jones Bergamin, faz um diagnóstico bem drástico. "Portinari pintava com bastante matéria no período da década de 1950, e como os ladrões cortaram e enrolaram a tela, vai quebrar tudo. Acho que apenas 10% ou 20% da tinta vai ficar." Já o dano ao autorretrato de Tarsila pode ser menor por sua pintura ser mais lisa.

O caso foi registrado no 78º DP da capital e os retratos falados dos criminosos começaram a ser elaborados ontem.

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