Grupo prepara opção a rodízio de caminhões em SP

Um grupo de trabalho formado por 24 representantes do setor de transportes prepara uma contraproposta às medidas de restrição de circulação de caminhões, anunciada no dia 1º pela Prefeitura de São Paulo. A comissão vai elaborar um documento com críticas às proibições, avaliação do impacto econômico das mudanças e alternativas às regras propostas pela administração municipal.

Agência Estado |

O resultado das discussões será apresentado no dia 25 ao prefeito Gilberto Kassab (DEM). O prazo de dez dias úteis, contados a partir de hoje, foi estipulado por Kassab, em reunião com representantes do setor na semana passada.

Hoje, cerca de 150 empresários e sindicalistas reuniram-se na sede do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), na Vila Maria, zona norte da capital paulista, para debater as limitações e ouvir do presidente da entidade, Francisco Pelúcio, o anúncio da criação do grupo. O prefeito de São Paulo proibirá a rodagem de caminhões das 5 às 21 horas numa área de 100 quilômetros quadrados e instituirá um rodízio para esses veículos, das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas, nas Marginais do Tietê e do Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes.

O principal ponto de resistência do setor será a liberação da circulação dos veículos urbanos de carga (VUCs), caminhões com até 6,3 metros de comprimento, afirmou Pelúcio, que presidirá o grupo. "É impossível deixar de contar com o VUC durante o dia", disse. "Se o prefeito não ceder, poucos dias depois de a medida entrar em vigor, a cidade de São Paulo ficará desabastecida, pois não temos outro meio de entregar as mercadorias."

Ele comentou a possibilidade de substituir caminhões por veículos menores, como peruas ou caminhonetes. "Não pensamos em trocar caminhões por outros veículos, pois isso traria um aumento imenso de custo, com pessoal e manutenção", disse. "Mas podemos ter de recorrer a isso se não contarmos com o VUC." Cada caminhão, que transporta até 4,5 toneladas, precisaria ser trocado por cinco peruas ou 11 caminhonetes - o que traria congestionamentos ainda mais longos à capital.

Missão

O grupo terá a missão ainda de identificar os custos para a adoção das normas, afirmou um dos três coordenadores, Adalberto Panzan Júnior, presidente da Associação Brasileira de Logística (Aslog). "A comissão vai calcular, com informações técnicas, o impacto econômico da mudança para a cidade. Se a população achar que vale o preço, aceitamos a decisão e vamos nos reposicionar", disse.

Panzan Júnior prevê gastos adicionais com pessoal e segurança para fazer entregas à noite. "Até o preço da apólice de seguro dos caminhões e da carga vai subir, pois terá de cobrir o risco de entregar mercadoria à noite em locais pouco movimentados e sem segurança extra." Para ele, a nova lei esbarra em limites de horário de carga e descarga impostos pelo comércio. "Não é uma lei municipal que define o horário de entrega, mas a administração das grandes lojas e shoppings", afirmou. "O prefeito não tem poder de revogar a lei da oferta e da demanda. Se alguém comprou e alguém vendeu, alguém tem de entregar o produto, de caminhão, moto ou a pé."

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