Grupo planeja esquema clandestino para entrada nos shows do Metallica no Morumbi

SÃO PAULO ¿ No dia 27 de novembro, dezenas de fãs do AC/DC que não conseguiram ingresso para ver o grupo ao vivo, no Morumbi, em São Paulo, encontraram uma opção para assistir ao show. Graças a um esquema clandestino, desde as 18h grupos de quatro a seis pessoas entravam no estádio por um dos portões da avenida Jules Rimet, que dá acesso à pista, utilizando pulseiras de identificação iguais às usadas por profissionais que trabalhavam no estádio. Agora, o mesmo esquema começa a ser planejado para ser posto em prática no show do Metallica, em janeiro de 2010.

Marcelo Monteiro, iG São Paulo |

A reportagem do iG gravou uma conversa, feita por telefone, com um dos integrantes do bando, que já planeja a repetição do esquema clandestino para as duas apresentações da banda norte-americana, marcadas para os dias 30 e 31 de janeiro, também no Morumbi. Após obter o telefone com uma das pessoas que entraram no estádio clandestinamente, o repórter do iG questionou a um dos mentores sobre a possibilidade de o golpe ser aplicado novamente na apresentação do Metallica. Nós vai ver (sic) se dá pra recolocar a fitinha lá, respondeu Cacá, como o homem se identificou, em uma das gravações.

Gravação 1: "Nós vai ver se dá pra recolocar a fitinha lá, e a gente faz esse mesmo esquema, tá bom?"

Fitinha rola às vezes, garante um dos mentores

Cacá, que também atua como cambista, diz que a entrada com o uso das pulseiras só poderá ser confirmada em uma data mais próxima do evento. Segundo ele, não é sempre que é possível esse tipo de entrada no Morumbi. Já tô te avisando de antemão. Não te garanto nada, diz ele, responsável por guiar as pessoas até o interior do estádio. Às vezes rola a fitinha, entendeu? Aí vai dar pra gente fazer um negócio bom.

Sem conseguir comprar ingresso ¿ as entradas foram vendidas muitas semanas antes do show e parte delas ainda estava nas mãos de cambistas, que cobravam no mínimo R$ 300 ¿, muitos fãs viram no esquema clandestino a chance de entrar no estádio para ver o AC/DC em novembro. Para isso, pagaram, em média, R$ 150 ao grupo organizado, que atua nas imediações e dentro do estádio. A estimativa é de que os guias turísticos ¿ como um dos membros do grupo chegou a falar, ironicamente ¿ tenham faturado pelo menos R$ 2 mil apenas no show do AC/DC.

Gravação 2: "Às vezes rola a fitinha, entendeu? Aí vai dar pra gente fazer um negócio bom"

O esquema funciona com vários intermediários, que ficam ao redor do estádio, em busca de fãs que ainda não têm tíquetes para entrar no show. Depois de cooptar os fãs, esses intermediários os levavam até o homem-base do esquema, que funciona como uma espécie de caixa, a 50 metros do portão, recebendo os pagamentos e organizando pequenos grupos para entrar no estádio.

Para cada fã cooptado, os intermediários recebem R$ 20. Pode ficar tranquilo. Esses aí são todos meus clientes, comentou um deles, ao mostrar o grupo que começava a se formar junto ao caixa do esquema.

Já o homem que recebia os pagamentos ¿ R$ 150, negociáveis, por pessoa ¿ não gostava de dar informações. Questionado sobre como se daria a entrada no estádio sem ingressos, respondia: Cara, não precisa falar nada. Você vai acompanhar o guia, um guia turístico. Por volta das 21h, horário previsto para o começo da apresentação do AC/DC, o grupo comemorava o fato de ter arrecadado mais de R$ 2 mil.

Gravação 3: "Cara, não precisa falar nada. Você vai acompanhar o guia, um guia turístico"

Quando tiver evento, me liga, diz, na saída

A cada 20 ou 30 minutos, quando um novo grupo estava formado próximo ao portão, um terceiro comparsa ¿ identificado como Cacá, com quem a reportagem do iG conversou por telefone ¿, responsável por conduzir as pessoas para dentro do Morumbi, vinha ao encontro do caixa do esquema, fora do estádio, para buscar os clientes. Neste momento, Cacá e o caixa colocavam as pulseiras de cor laranja nos penetras.

Depois disso, Cacá conduzia o grupo até o interior do estádio. Não sem antes orientar os membros do grupo para que conseguissem passar pelos policiais e porteiros sem serem molestados nem revistados: Não falem nada e não olhem para ninguém. É só me seguir.

Já dentro do estádio, ele próprio retirava as pulseiras dos pulsos das pessoas: Preciso voltar para buscar mais gente, justificava. E anunciava o próximo serviço a ser prestado aos clientes. Quando tiver evento aqui, me liga, afirmava, antes de dar o número de seu telefone celular. Em janeiro tem o Metallica.

Empresas desconhecem o esquema

A produtora Time for Fun, responsável pelo show do AC/DC na capital paulista, afirmou que desconhece o esquema e garantiu que irá apurar a fundo os dados apresentados. Um show dessa magnitude envolve um grande número de prestadores de serviço e, por isso, gera um grande fluxo de pessoas entrando e saindo do local, antes, durante e depois. Por conta disso, vamos reforçar ainda mais nossos processos de credenciamento, diz um comunicado enviado ao iG .

A CIE Brasil, por sua vez, que está organizando as apresentações do Metallica em solo brasileiro, tanto em Porto Alegre quanto em São Paulo, também negou ter conhecimento da quadrilha e afirmou que a empresa está preparada para evitar que o esquema se repita. Nossa equipe de produção estará absolutamente orientada e preparada para se prevenir e tomar as providências necessárias caso qualquer tentativa neste sentido venha a ocorrer nas apresentações da banda Metallica.

* Com reportagem de Marco Tomazzoni

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