Grupo oferece aulas de valorização da maturidade para idosos

O Espaço Sênior, em São Paulo, oferece atividades adaptada para quem já passou dos 60. Os alunos podem escolher entre aulas de dança, teatro, culinária e o suporte de terapeutas, fisioterapeuta e técnicos de enfermagem.

Agência Estado |

À noite, eles voltam para casa: é uma espécie de escolinha, com direito a reuniões com a família, refeições e caderneta de desempenho. "O conceito é novo no País e popular nos EUA. Conhecido como day care, o centro-dia representa uma alternativa às clínicas de repouso e aos cuidadores particulares ", diz a geriatra Daniela de Oliveira, sócia-diretora do local.

Entre os idosos, há gente com seqüelas de acidente vascular cerebral (AVC) e vários níveis de Alzheimer. "É importante para eles aprender algo novo. Há o estereótipo de que idosos não aprendem, o que não é verdade. Temos um paciente que descobriu o canto. Uma senhora na cadeira de rodas ficou em pé para dançar com o grupo", conta a terapeuta Gabriela de Campos.

O conceito de centro-dia parte do princípio de que o convívio grupal, além de promover a sociabilidade do idoso, melhora sua auto-estima. "O brasileiro é protecionista, acaba infantilizando o idoso na tentativa de protegê-lo. Aqui, eles se redescobrem capazes de executar tarefas para as quais são tidos como incapazes", avalia Daniela.

Passado

O Espaço Sênior nasceu no início do ano, meses antes da criação de um serviço similar no complexo Hiléa: a vivência assistida diária. "Há três dias na semana para idosos com declínio cognitivo, como falha de memória, e três dias para os dependentes físicos. As atividades não são escolhidas ao acaso, elas ajudam a resgatar o passado. É uma re-escola: redescobre-se antigas habilidades", diz Paulo Canineu, diretor clínico do Hiléa. O lugar tem outros serviços: é um mix de clube, hotel e hospital.

Doutora em psicologia e coordenadora do Grupo de Maturidade do Hospital das Clínicas, Dorli Kamkhagi acredita que zelo excessivo beira o desrespeito. "Tem algo de perverso nesse ‘pseudo-cuidado’. Ninguém fica bom ou ruim ao envelhecer, nem deve ser tratado como criancinha. A família tem de aprender o que é velhice. Às vezes é espantoso, é como se ver no amanhã", diz. Em outubro, a psicóloga lança o livro "Clínica do Envelhecimento". "Há um limite entre cuidar e tirar o direito do outro. Se a criança não cair, nunca irá andar", compara.

AE

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