Grupo não sabe quem são os responsáveis formais por suas empresas

BRASÍLIA - Uma das estratégias de blindagem do grupo Opportunity é a criação de várias empresas que faziam triangulações e supostamente ocultavam origem de recursos e seus administradores formais, segundo relatório da Polícia Federal. De acordo com dados da Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas era o capo da organização e atuava como uma espécie de alter-ego do grupo. Mesmo sem oficialmente ser o gestor de diversas das empresas, a PF sustenta que ele era o comandante, e dá como exemplo a discussão entre ele e sua irmã, a respeito de um processo movido pelo grupo Citi contra o Opportunity em Nova York.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

Na interceptação telefônica, eles tentam definir quem poderia ser citado como gestor e tomador de decisões do Opportunity Fund (Fundo de investimentos do grupo, sediado no Exterior e usado por brasileiros para investimentos ilegais no País, segundo a PF).

Na conversa datada de 13 de novembro, Dantas, dos Estados Unidos, liga para sua irmão, Verônica, que usa o "pretinho" ¿ nome dado ao telefone que o grupo acreditava ser seguro contra grampos ¿ e alega que no processo estão acusando o banco, o fundo e outras empresas do Opportunity de serem uma espécie alter-ego, de não terem uma estrutura jurídica própria, que um emprega dinheiro do outro e que na verdade todas as decisões seriam tomadas por Dantas, o que seria confirmado pelo próprio.

Dantas: "Uma porção de outras coisas e... quando você for fazer as respostas você tem que levar em conta esse assunto do... é importante o Opportunity Fund não ser "alter-ego". E... o banco não é "alter-ego".

Verônica: "Alter-ego" é o que do ponto de vista legal?"

Dantas: "Tem uma... ahh... tem uma estrutura... é... é... vamos dizer o seguinte, como a gente opera aí dentro, esses Opportunity's todos, é um "alter-ego" do outro, é como se um emprega dinheiro do outro, não tem relação muito estruturada, ééé, alguém manda sem ser diretor, ééé, não sei, é o que ocorre mesmo".

Nesta e em outras ligações sobre o assunto, Dantas e sua irmã discutem quem pode ser considerado oficialmente o tomador de decisões do Fundo. Após debaterem uma série de possibilidades chegam à conclusão que Dário Ferman, executivo do grupo, poderia se enquadrar como responsável administrador e Felipe Pádua, outro executivo, seria encarregado do gerenciamento dos ativos.

Nos diálogos Verônica ainda revela para Dantas que já combinou a versão com Dário e seu irmão pede para evitar arrolar mais nomes em seu depoimento, uma vez que cada um dos citados pode ser chamado para depor.

Informação privilegiada

A Polícia Federal ainda sustenta que uma das maneiras do grupo obter informações privilegiadas se dava justamente pela confusão de empresas abertas por integrantes da organização. Quando analisados os nomes dos integrantes do que a PF chama de organização criminosa, constam mais 150 empresas abertas.

Para a Polícia a maior parte das empresas é somente uma "prateleira" ou "veiculo", sendo que, ao final, uma ou algumas serão controladores de empresas reais ou fundos de investimentos.

Assim, segundo a PF, diversos membros da organização participam de conselhos deliberativos de empresas reais. E a mesma pessoa participa de "uma ou outras empresas veículos". "Assim, quem toma a decisão no conselho deliberativo e, portanto, tem acesso a informações privilegiadas, pode, através de outra empresa ou fundo, utilizar essa informação para atuar no mercado comprando ou vendendo ativos antes da divulgação oficial da assembléia", diz trecho de um dos relatórios da Polícia.

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