Grupo de deputados cria movimento contra lista fechada

BRASÍLIA - A discussão em torno de uma lista fechada, na qual os eleitores votariam no partido político e não mais nos candidatos individualmente, tornou-se um cabo de guerra na volta dos debates de uma reforma política. E já ameaça criar obstáculos para o governo na Câmara.

Agência Estado |

Em reação direta à disposição de líderes de grandes partidos em defender a votação por meio de lista, um grupo de deputados instituiu um movimento, intitulado Diretas Sempre - Contra o voto em lista, que até adesivo de campanha já tem.

Essa é a questão chave da reforma política. Queremos assegurar ao povo o voto direto nos candidatos, afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), um dos organizadores do movimento. Para não ser surpreendido durante a votação, Miro e um grupo de deputados estão recolhendo assinaturas para mapear os votos contrários à proposta. Em junho de 2007, o projeto que instituía o voto em lista fechada nas eleições foi derrotado no plenário da Câmara com um placar de 252 votos contra e 181 a favor.

Politicamente, o grupo pretende também usar mecanismos regimentais que podem atrapalhar as votações de interesse do governo na Casa para pressionar contra a lista fechada. O governo não pode ficar fazendo alianças com quem quiser para derrotar aliados, protestou Miro, prometendo obstruir votações do governo.

O líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), segue na mesma linha. O governo está fazendo aliança com o DEM e com o PSDB para aprovar a reforma política. Ele tem de perceber que nós também vamos nos aliar com outros partidos para atrapalhar as votações, disse.

O deputado Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM, é um dos principais defensores do voto em lista fechada, elaborada pelos partidos políticos. Se não aprovar o voto em lista não tem mais reforma política, afirmou Caiado. Ele pretende deixar essa posição clara na reunião de líderes convocada pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para discutir os rumos da votação da reforma política na semana que vem. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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