Gripe H1N1 adia aulas em 4 Estados e DF; mortos são 60 no país

Por Hugo Bachega SÃO PAULO (Reuters) - O reinício das aulas de mais de 11 milhões de alunos em quatro Estados brasileiros e no Distrito Federal foi adiado para tentar frear a disseminação do vírus H1N1 entre alunos e professores. A nova gripe já matou pelo menos 60 pessoas no país.

Reuters |

Os governos do Distrito Federal, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul decidiram nesta quarta-feira prorrogar o recesso escolar de inverno para evitar o avanço da nova gripe. São Paulo já havia prorrogado as férias dos alunos das redes estadual e da capital na terça-feira.

No Paraná, que já registrou quatro mortes, o sindicato das escolas particulares decidiu suspender todas as atividades até o dia 10 de agosto. A Secretaria da Educação, no entanto, não fez alterações no calendário escolar da rede pública.

No Rio de Janeiro, as aulas só serão retomadas no dia 10 de agosto. O retorno estava programado para a próxima segunda-feira. A decisão, que afeta 1,5 milhão de alunos, será reavaliada no dia 5 de agosto pelas autoridades do setor.

Na rede municipal de ensino da capital fluminense, as férias também foram prorrogadas até o dia 10 de agosto para cerca de 705 mil alunos.

Nos últimos dias, três grávidas morreram no Rio com suspeita de terem contraído a doença, inicialmente conhecida como "gripe suína".

"Estamos tentando entender por que a gripe evolui mais rapidamente nas grávidas e adultos jovens", disse o secretário Estadual de Saúde, Sérgio Cortes, que recomendou às gestantes que procurem atendimento urgente em caso de sintomas da nova gripe.

A nova doença já fez ao menos cinco vítimas fatais no Estado.

No Rio Grande do Sul, o recesso foi estendido até dia 17 de agosto. O retorno de 1,2 milhão de alunos estava programado para o dia 3.

"Sabemos que postergação do recesso não vai influenciar na diminuição significativa do número de casos, mas vai retardar a velocidade da transmissão", afirmou o secretário de Saúde gaúcho, Osmar Terra, em comunicado.

O Estado teve até o momento 21 mortes pela nova doença.

O governo do Distrito Federal também adiou a volta às aulas de 500 mil alunos para 3 de agosto.

Na terça-feira, o governo de São Paulo já havia adiado o reinício das aulas para cerca de 5,5 milhões de estudantes da rede estadual, mesma medida adotada pela prefeitura da capital, afetando outros 1,1 milhão de alunos.

Outras cidades paulistas afetadas pela doença já haviam decidido pelo adiamento do retorno às aulas.

As universidades públicas paulistas USP, Unesp, Unicamp e Unifesp e várias instituições privadas de ensino também prorrogaram as férias de universitários.

O Ministério da Saúde recomendou aos alunos com sintomas de gripe que evitem retornar às aulas até estarem totalmente recuperados.

NOVAS MORTES

Quatro mortes pela gripe H1N1 foram confirmadas nesta quarta-feira, duas no Estado de São Paulo e outras duas no Rio Grande do Sul.

No município gaúcho de Passo Fundo, foram registradas duas mortes --uma mulher de 28 anos, portadora de Síndrome de Down, e um homem de 42 anos que não pertencia ao chamado grupo de risco --gestantes, obesos ou com doenças anteriores ou em tratamento. As mortes ocorreram no dia 22, informou a Secretaria da Saúde em nota. Já são sete óbitos no município.

Em São Caetano do Sul, no Grande ABC paulista, um homem de 38 anos foi a primeira vítima fatal no município. A assessoria da Prefeitura informou que outra morte, a de uma mulher de 42 anos, está sob investigação.

Campinas, no interior paulista, registrou a morte de uma mulher de 48 anos, internada no dia 22 e morta na segunda-feira. Segundo a secretaria municipal de Saúde, a paciente fazia parte do grupo de risco.

A secretaria municipal da Saúde informou à Reuters que o óbito registrado em Campinas não havia sido contabilizado no relatório divulgado pela secretaria Estadual de Saúde na terça-feira. Assim, são 29 os mortos pela nova gripe no Estado.

Nesta quarta-feira, o ministério divulgará o relatório semanal com dados atualizados sobre a gripe no país.

(Com reportagem de Adriane Piscitelli em São Paulo e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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