Grevistas se reúnem na USP contra a PM na universidade

SÃO PAULO - Cerca de 400 grevistas da Universidade de São Paulo se reuniram na manhã desta terça-feira em um ato na Faculdade de Geografia contra a presença da Polícia Militar (PM) na USP, do qual participam os professores Antônio Candido e Marilena Chauí.

Bruno Rico, repórter do Último Segundo |

As paralizações na universidade começaram com a reivindicação de aumento salarial dos funcionários no dia 5 de maio. Mas, após o confronto entre a Polícia Militar e manifestantes na Cidade Universitária (9/6), a greve ganhou a adesão dos professores e alunos e apresentou novas reivindicações. A principal delas, consenso entre os três setores, é a renuncia da reitora Suelly Vilela. 

Os setores em greve pedem também a reintegração do funcionário demitido Claudionor Brandão, a saída da PM do Campus e um reajuste salarial de 16% - reposição da inflação dos últimos 12 meses (estimada em 6,1%) mais 10% de reposição de perdas anteriores -, além de incorporação fixa de R$ 200. A reitora alega que o orçamento da universidade não suportaria semelhante aumento e afirma que, no momento, a PM está presente apenas no prédio da Reitoria. Ainda segundo a reitoria, professores e funcionários já receberam o salário de junho com o reajuste de 6,05%.

Durante o ato desta manhã, Marilena protestou: "Será que isso nunca acaba? Vivemos a repetição interminável do autoritarismo e da repressão". "Não basta propormos como palavra de ordem 'diretas para reitor'. Temos que desestruturar essa estrutura centralizada", disse a professora.

Antônio Cândido também criticou a presença de policiais para reprimir as manifestações. "Estou aqui para fazer uma oposição veemente à polícia no câmpus".

No início da tarde, os grevistas já haviam encerrado o ato na Faculdade de Geografia e alguns se concentraram em frente ao 'bandejão' da Faculdade de Química para protestar contra o funcionamento do restaurante, que não aderiu à greve porque que é terceirizado.  

Já o 'bandejão' central da USP, está fechado, assim como o CEPEUSP. Os ônibus circulares também não estão funcionando. A reitoria afirma que apenas 10% dos funcionários (1500) estão paralizados. Um funcionário do "bandejão" e estudante de História contesta os dados. "Só no Coseas já há 400 parados. Na FFLCH, mais 350. Há ainda os da Prefeitura do Campus, do Cepeusp e da ECA, além das unidades que estão parcialmente paradas, como a FAU e a Educação, que estão sem biblioteca".

A passeata de protesto contra a presença da Polícia Militar no câmpus e pela saída da reitora Suely Vilela foi adiada desta terça-feira para quinta-feira e seu trajeto foi alterado: inicialmente da reitoria até o Masp, agora deve ser do Masp até a Faculdade de Direito no Largo São Francisco, a partir das 13h.

O motivo é ter mais tempo para reunir pessoal da Unesp e da Unicamp, disse Gabriel Casoni, diretor do Diretório Central dos Estudantes.

Retomada das negociações

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), do qual faz parte a reitora Suely Vilela, propôs para o dia 22 de junho, às 14h, uma reunião para retomar as negociações com o Fórum das Seis - entidade que congrega representantes dos professores, funcionários e alunos da USP, UNESP e UNICAMP.

As negociações estão paralizadas desde o dia 25 de Maio, quando a reitora se recusou a fazer uma reunião com a presença de pessoas e entidades que não faziam parte do Fórum das Seis, entre eles, o funcionário demitido Claudionor Brandão.

Na tarde desta terça-feira, o Fórum das Seis estava reunido e deve aceitar a proposta de reunião, uma vez que a retomada das negociações era uma reivindicação da categoria.

Funcionários punidos

Nesta segunda-feira, a Juíza da 26ª Vara do Trabalho havia reintegrado o funcionário e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) Claudionor Brandão. Mas a decisão foi cassada no mesmo dia pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O técnico em manutenção de refrigeração, que trabalhava desde 1987 na USP, é um dos líderes da greve que na última terça-feira provocou o confronto entre funcionários e estudantes e a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM).

Brandão foi um dos três manifestantes detidos por crimes de dano ao patrimônio público, desacato à autoridade e resistência à prisão. A readmissão do dirigente é uma das reivindicações da greve organizada pelo Sintusp.

Além da demissão de Brandão, outros quatro funcionários também estão sofrendo processos administrativos na Usp. Dois respondem pela ocupação da reitoria ocorrida em 2007 e, outros dois, por um piquete ocorrido neste ano.

Ainda, o Sintusp afirma que está sendo processado em R$ 356 mil por supostos danos causados ao prédio da reitoria durante a ocupação de 2007. O sindicato diz que arrecada R$ 80 mil por mês e entende que semelhante multa tem o "objetivo político" de inviabilizar suas atividades.

Apoio à reitora

Diretores de 38 faculdades, institutos, escolas e centros da USP divulgaram carta em apoio à reitora Suely Vilela e à presença da Polícia Militar no câmpus na última terça-feira. Dez unidades não assinaram o documento, entre elas a Escola de Comunicações e Artes (ECA), a Faculdade de Educação e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

A carta, que foi preparada em reunião que chamou todos diretores de unidades, refuta a violência "seja por grevistas ou por policiais. E diz que grevistas devem preservar o acesso ao trabalho, sem ameaça ou dano às pessoas ou ao patrimônio público, "como os que geraram, em primeira instância, a necessidade das ações judiciais de reintegração de posse e a subsequente presença da polícia no câmpus. 

Orçamento

Segundo a reitoria da USP, a universidade ficaria sem recursos para manutenção (custeio) e investimento caso seja concedido os 16% de reajuste salarial exigido pelos sindicatos em greve. Com o aumento, 92,4% do orçamento passaria a ser destinado apenas à folha de pagamento (ativos e inativos).

A reitora Suely Vilela afirma não ter condição de atender à reivindicação e sua proposta se restringe a 6% de aumento. Com isso, o gasto com pessoal passa de 83,01% para 87,2% da receita da USP.

O orçamento da universidade é obtido com parte do repasse do ICMS por parte do goverbo. USP, Unesp e Unicamp dividem 9,7% do total do valor. No caso da USP, que fica com cerca de 5% do ICMS, a receita chega a quase R$ 2,4 bilhões.

(Com informações da Agência Estado)

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