Greve histórica do jornal Le Monde por corte de pessoal

Os funcionários do prestigioso jornal francês Le Monde realizarão uma greve histórica para protestar contra um plano de cortes de pessoal que prevê a demissão de um em cada quatro dos seus jornalistas.

AFP |

A greve, a primeira convocada por razões internas desde a criação do jornal em 1944, foi votada na terça-feira por uma grande maioria e será "muito dura", advertiu o sindicalista Maurice Hadida, da Confederação Geral dos Trabalhadores.

O anúncio dos cortes feito pela direção, na semana passada, foi o que provocou os protestos.

Em 2007, o grupo, que possui uma dívida de 150 milhões de euros (quase 400 milhões de reais), anunciou um prejuízo de 20 milhões de euros (cerca de 53 milhões de reais).

Diante dessa situação, a direção apresentou uma série de medidas para restaurar o equilíbrio fiscal do jornal e dos seus suplementos até 2010.

A direção do grupo apresentou na última sexta-feira ao conselho de vigilância um "plano de recuperação" que prevê o corte de 130 postos de trabalho, incluindo a antecipação das aposentadorias e outros impostos, além do corte de várias entidades "endividadas ou não estratégicas" como a "Les Cahiers du Cinema".

Pela primeira vez na história do jornal, a direção anunciou que as demissões não serão apenas voluntárias, mas também obrigatórias.

"O plano será realizado da maneira mais eficaz e justa", disse o presidente do diretório do Le Monde e ex-chefe de redação, Eric Fottorino, que disse "lamentar" a greve.

O Le Monde já vinha enfrentando a crise semanas antes de Fottorino ser nomeado em janeiro deste ano.

Em 2005, planos similares acabaram com mais de 200 cargos.

Os sindicatos acusam a diretoria anterior, liderada por Jean-Marie Colombani, de ser a responsável pela crise financeira do grupo.

Os funcionários devem se reunir novamente na segunda-feira em uma assembléia-geral e a maioria dos sindicatos de jornalistas marcaram manifestações em frente à sede do jornal.

Toda a imprensa francesa passa por uma grande crise desde o início do século, com a concorrência dos jornais gratuitos e internet.

Os planos de redução de cargos afetaram recentemente vários jornais tradicionais, como o Le Figaro, no início do ano, e o Libération, no ano passado.

Nos últimos nove meses, segundo informações dos sindicatos, 28 redações francesas recorreram à greve.

ber/fb/fp

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