Greve é suspensa nos aeroportos do País

Após ações judiciais, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aéreo confirma a suspensão

iG São Paulo |

Em entrevista na manhã desta quinta-feira (23), o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aéreo, Uébio José da Silva, confirmou a suspensão da greve dos aeronautas (pilotos e comissários) e aeroviários (funcionários que trabalham em terra nos aeroportos), marcada para hoje. Na noite de quarta-feira (22) o Tribunal Superior do Trabalho concedeu uma liminar determinando a manutenção em atividade de 80% do efetivo dos aeronautas e aeroviários entre 23 de dezembro e 2 de janeiro de 2011. A liminar e o "clamor popular" fizeram com que a categoria suspense a paralisação, afirmou o presidente da Federação. Segundo Uébio, a manifestação deve voltar no próximo dia 7 de janeiro.

Segundo Silva, a decisão foi estendida no restante do País não apenas por conta da Justiça, mas também por entender que o problema poderia ser maior nos terminais do País. "Os sindicatos entenderam que este não era o momento para descumprir a Justiça, a lei foi feita para ser cumprida e nós cumprimos. Entendemos também a posição do Presidente Lula de que este movimento prejudicaria muitas pessoas." De acordo com Silva, o sindicato ficou ciente nesta manhã, após já ter optado pela suspensão da paralisação, de uma outra ação judicial, esta com multa no valor de R$ 3 milhões, emitida pelo Ministério Público Federal às 22h de quarta-feira.

André Durão
Operador de máquina Francisco Milton, de 39 anos, aguarda o voo para Fortaleza
O operador de máquina Francisco Milton, de 39 anos, tem voo às 9h para Fortaleza no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, mas decidiu sair de casa às 5h com medo da paralisação. “É minha única oportunidade de estar com a minha família. Fiquei com muito medo de perder este voo. Mas vi ontem no jornal que até o presidente pediu para a greve não acontecer”, disse ao iG .

Sistema jurássico

"O sistema aéreo brasileiro é jurássico, não conseguimos atender a demanda da forma que ela deve ser feita, temos que entender que os funcionários não podem ser reféns deste sistema falho. Temos ciência de que esse processo (operação padrão) pode prejudicar pessoas, mas por outro lado, aumentará a excelência dos serviços. Ele deixará de ser mais rápido, porém, será otimizado", completou.

Com relação às orientações que os funcionários do setor receberam dos sindicatos, o presidente afirmou que eles cumprirão exatamente o que está no guia de suas tarefas. "Os funcionários não farão nada além do que são orientados pelas empresas. Eles não farão nada além disso e não vão acelerar os processos, mas isso não significa que farão 'corpo mole'."

De acordo com o diretor operacional da Anac Carlos Peregrino hoje é o dia de maior movimentação nos aeroportos em todo o País. Estão previstos aproximadamente 480 mil embarques e desembarques. “A possibilidade de paralisação fez com que a gente reforçasse a nossa fiscalização até porque o sindicato sabe que hoje é o dia de maior movimentação”.

Aeroportos brasileiros têm atrasos nesta quinta

Às vésperas do Natal, os aeroportos brasileiros registram atrasos em mais de 30% dos voos domésticos programados para esta quinta-feira.

De acordo com informações da Empresa Brasileira Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), dos 1.131 voos agendados entre 0h e 12h de hoje, 373 (33%) não cumpriram o horário previsto e 57 tiveram de ser cancelados. Nas rotas internacionais, o índice de atrasos é menor (29,1%), com 25 voos atrasados.

Greve

O fracasso nas negociações com as empresas aéreas, em reunião que ocorreu na terça-feira, em Brasília com intermediação do Ministério Público do Trabalho, fez com que aeroviários e aeronautas mantivessem a data de início da greve das duas categorias a antevéspera de Natal.

A greve iria acontecer por conta de um impasse salarial, no qual as empresas não aceitam o reajuste de 15% nos salários dos aeronautas e 13% para os aeroviários. As empresas - representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) - não querem avançar além do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 6,08%, acumulado dos últimos 12 meses (até novembro).

* Com reportagem de Márcio Apolinário, iG São Paulo, e de Anderson Ramos, especial para o iG Rio de Janeiro

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