RIO DE JANEIRO ¿ A greve dos Correios completa nesta sexta-feira 18 dias. Segundo o último levantamento da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), a entrega de cerca de 127 milhões de correspondências estão atrasadas em todo o País. No Rio de Janeiro, quase dez mil empregados estão parados e mais de 30 milhões de cartas e encomendas não foram entregues. Os maiores problemas, reconhece a estatal, estão ocorrendo com serviços de entrega com hora marcada, que continuam suspensos, como Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta. Em virtude desse quadro, surge uma questão: quem ganha e quem perde com a paralisação da categoria?

Do lado de quem ganha estão as transportadoras que oferecem serviços semelhantes aos prestados pelos Correios. Um exemplo é a DHL Express, que atende 1.515 cidades brasileiras. De acordo com a empresa, desde o início da greve dos correios, a transportadora vem registrando um aumento de 114% no envio de remessas expressas, incluindo operações domésticas e internacionais.

Já do lado de quem perde está a população. Nesse período, as pessoas têm enfrentado muitos transtornos por não receber suas correspondências, como faturas e contas a serem pagas. Com essa situação, os consumidores têm que buscar alternativas para quitar suas dívidas e vêm encontrando problemas. Foi o que aconteceu com a publicitária Karine Shaydel, que enfrentou alguns contratempos para pagar a fatura de seu cartão de crédito.

Como a minha fatura não chegou, eu tive que ligar para a central de atendimento do banco para conseguir um outro meio de efetuar o pagamento. Fiquei quase dez minutos no telefone para receber uma seqüência de números correspondente ao código de barras. Fui à agência para pagar no caixa eletrônico e o mesmo estava com problemas. Acabei demorando, não consegui pagar e quando fui ver o horário de atendimento da agência já tinha passado. Resultado: tive que efetuar o pagamento no dia seguinte e vou ter que arcar com os juros, diz a publicitária.

Segundo o subsecretário-adjunto dos direitos do consumidor do Procon-RJ, o devedor deve entrar em contato com a empresa fornecedora do bem ou serviço com o intuito de encontrar um meio alternativo para quitar sua dívida. Por sua vez, o credor deve disponibilizar meios para que o consumidor efetue o pagamento, já que é a parte mais interessada na situação. Entre os exemplos de alternativas estão depósito em conta, envio de fatura por fax ou e-mail, entrega via motoboy ou links de internet onde o pagamento possa ser realizado.

Entenda a paralisação

Elza Fiúza/ ABr
127 milhões de correspondências estão atrasadas
Os funcionários dos Correios estão em greve desde o dia 1º de julho. A categoria reivindica o cumprimento do acordo que garante o adicional de risco de 30% para os carteiros, revisão da participação nos lucros, que segundo os grevistas é distribuída de forma desigual, e mudanças no plano de carreiras e de cargos e salários. De acordo com a ECT, 18% do total dos 108 mil funcionários estão parados e a greve atinge 21 Estados e o Distrito Federal.

Em nota, a estatal ressalta que os ganhos dos empregados dos Correios entre 2003 e 2007, em especial os de níveis básico e médio, foram superiores aos reajustes do salário mínimo e do INPC. Sobre a reivindicação dos sindicalistas a respeito dos benefícios, segundo a empresa, os empregados contam com plano de saúde, plano de previdência privada e um plano de cargos e salários que possibilita a ascensão profissional.

Neste sábado, será realizada uma reunião entre os grevistas e o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Se o encontro tiver um resultado satisfatório, os funcionários dos Correios poderão retornar ao trabalho na segunda-feira. Segundo o secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentec), Manoel Cantoara, os principais pontos que podem levar a um acordo são a revisão do plano de carreira e de cargos e salários, a exclusão de algumas cláusulas de demissão dos Correios e a garantia que ao fim da greve os trabalhadores não serão penalizados com cortes nos salários.

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