O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Transporte Coletivo (STTRBH) decidiu, em assembleia realizada na tarde de terça-feira, pela continuidade da greve na Grande Belo Horizonte. Pelo terceiro dia, moradores ficam sem ônibus e as principais vias da capital mineira registram trânsito congestionado pelo excesso de carros particulares.

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Dezenas de ônibus ficam parados nas garagens
Apesar da greve, já é possível ver um número maior de coletivos nas ruas, o que indicaria que o movimento está perdendo força. Na segunda-feira, primeiro dia, cerca de 80% da categoria estava parada. Nesta quarta-feira, a avaliação do vice-presidente da Federação dos Rodoviários, Antônio da Costa Miranda, é de que cerca de 60% dos trabalhadores estão parados.

Além de Belo Horizonte, a greve prejudica outras cidades da região metropolitana, como Betim e Contagem.

Os motoristas e cobradores rejeitaram a proposta de reajuste de 4,35% oferecida pelos empresários. Eles pedem aumento de 37% nos salários, jornada de seis horas de trabalho, compensação das horas e manutenção da função de despachante e cobrador, cujas obrigações, em algumas linhas, passaram a ser também dos motoristas.

A proposta está longe da expectativa da categoria. Nossas condições de trabalho são muito ruins. Muitos motoristas dirigem e cobram. É um estresse muito grande que coloca em risco até a vida do passageiro, afirma Miranda.

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Greve provoca filas nas principais vias de Belo Horizonte

Na segunda-feira, o juiz Caio Vieira de Mello, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), determinou que o sindicato cumprisse escala mínima, o que equivale a manter 50% da frota em circulação. A decisão estipula multa por descumprimento em R$ 300 mil por dia. Por conta dela, o TRT informou que bloqueou R$ 2 milhões das contas de três sindicatos dos trabalhadores rodoviários.

Em nota, as empresas de transporte coletivo da região metropolitana de Belo Horizonte informam que apresentaram ao sindicato uma proposta de reajuste que "coloca os trabalhadores do setor entre os de maior remuneração, considerando os salários pagos em todas as capitais do País". Para as empresas, "a ausência ao trabalho pode representar demissão por justa causa por descumprimento da Lei de Greve".

Eles já mandaram recolher carros, bloquearam contas, os empresários ameaçam demitir por justa causa, mas a categoria está muito sofrida e disposta a continuar. Não vamos suspender, diz Miranda.

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