Greve de funcionários dos Correios atinge dezoito Estados, afirma empresa

SÃO PAULO ¿ A greve de funcionários da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) atinge dezoito Estados brasileiros, de acordo com um balanço da empresa. A paralisação, que teve início às zero horas desta terça-feira, 1, tem maiores adesões no interior de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Nestes Estados, 70% dos empregados aderiram à greve.

Redação com agências |

Agência Brasil
Funcionários fazem manifestação em Brasília
Diferente da empresa, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos de SP (Sintect-SP) contabiliza a adesão de funcionários de 23 Estados e do Distrito Federal. Segundo Vágner Nascimento, Diretor Financeiro do sindicato, a adesão foi de aproximadamente 80% dos trabalhadores. A assessoria dos Correios nega a informação.

De acordo com o secretário-geral da Federação Nacional em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Manoel Cantoara, a expectativa é de que o movimento cresça ainda mais. Para ele, o nível de insatisfação com relação ao não-cumprimento de acordo feito com o Ministério das Comunicações sobre um adicional de periculosidade deixou muita gente indignada.

Segundo Vágner, decidiram entrar em greve os servidores de todos os Estados, com excessão de Espírito Santo, Roraima, Piauí e Minas Gerais.

Reivindicações

Os funcionários reivindicam um adicional de periculosidade equivalente a 30% do salário por mês, aumento no percentual da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e a implementação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

Iremos em passeata até o Ministério das Comunicações para cobrar do ministro Hélio Costa o acordo assinado por ele, o presidente dos Correios e o presidente Lula, que se comprometeram a atender essas reivindicações, anunciou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Distrito Federal, Moisés Leme. Ele comentou ainda que "o ministro tem reconhecido as distorções salariais, mas de nada adianta ele reconhecer se não tem autoridade para fazer executar o que foi prometido.

O abono de risco, ou adicional de periculosidade, é a principal reivindicação dos grevistas. Temos colegas com câncer de pele, por trabalhar no sol, colegas que perderam o dedo por mordidas de cães e com problemas de coluna por causa da bolsa pesada, sem contar os assaltos porque carregamos valores, cartões de crédito, talões de cheques, contou Silvio Costa, carteiro há 27 anos. Ele disse ganhar menos de R$ 2 mil por mês e que o PLR foi de R$ 300, enquanto teve diretor da empresa que ganhou R$ 50 mil de PLR.

A mesma reclamação foi feita por Joatan Osias, que ficou cerca de cinco anos afastado do trabalho por problemas na coluna. Eu andava 475 quadras por semana. É quase desumano, disse.

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