Greve de funcionários do Itamaraty pode prejudicar brasileiros no exterior

BRASÍLIA - Funcionários do Itamaraty no Brasil e em 65 postos no exterior fazem, nesta terça-feira, uma paralisação geral de 24 horas que pode prejudicar serviços como fornecimento de passaporte fora do País. O movimento reivindica aumento salarial acompanhado de redução da diferença salarial entre oficiais de chancelaria e diplomatas.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

Atualmente, um oficial de chancelaria recebe no topo da carreira R$ 6.059; enquanto um diplomata ganha R$ 11.775, quando chega a ministro de primeira-classe. Tanto oficiais como diplomatas têm nível superior; essa diferença salarial gera uma pseudo-hierarquia que não existe, cria-se uma hierarquia salarial, reclama o porta voz do movimento Paulo Edson Medeiros Albuquerque, oficial de chancelaria.

Apesar de embaixadas e consulados contarem com empregados terceirizados, Paulo Edson acredita que a paralisação afetará o atendimento aos brasileiros no exterior. Os auxiliares locais não têm competência de autorizar passaportes, fornecer vistos ou mesmo ajudar ou visitar brasileiros em prisões, alertou. 

É a primeira vez em 63 anos que oficiais e assistentes de chancelaria fazem greve. O porta-voz do movimento adianta que as duas associações de classe ¿ Associação Nacional dos Oficiais de Chancelaria (ASOF) e o Conselho Nacional dos Assistentes de Chancelaria (CONAC) ¿ aguardam sinal concreto do Itamaraty para reabrirem as negociações. Caso contrário, o movimento pode originar uma greve por tempo indeterminado. 

A assessoria de imprensa do Itamaraty declarou que o ministro Celso Amorim (de Relações Exteriores) se reuniria com o ministro Paulo Bernardo (do Planejamento) para tentar encontrar uma solução que satisfaça os funcionários do Itamaraty. Mas até às 18h desta segunda-feira, a assessoria do Ministério do Planejamento não havia confirmado o encontro.

O porta-voz do movimento grevista já adiantou que os servidores do Ministério de Relações Exteriores não estão dispostos a aceitar os 19% de reajuste acenados, na semana passada, pelo Ministério do Planejamento. 

Tínhamos um acordo com o Itamaraty de equiparação salarial com os segundos-secretários (R$ 9.218) e eles romperam o compromisso. Agora, aguardamos uma sinalização para retomarmos a negociação. Não nos interessa um aumento de 19% para todos; queremos redução do fosso salarial entre as três carreiras, disse Paulo Edson.

O movimento grevista não inclui os diplomatas, que não vão aderir à paralisação.    

Das 90 embaixadas e 36 consulados no exterior, 65 postos já confirmaram adesão, entre eles: Londres, Madri, Paris, Pequim, Tóquio, além de todos os postos americanos.

Diferença salarial

Os servidores do Itamaraty querem reduzir a diferença salarial entre as três carreiras do Ministério de Relações Exteriores: diplomacia, oficial de chancelaria (ambos de nível superior) e assistente de chancelaria (nível médio).

Atualmente, um diplomata em início de carreira recebe R$ 8.700; um oficial de chancelaria, R$ R$4.629; e assistente de chancelaria, R$ 1.549.

Em meados de maio, as duas associações de classe apresentaram uma proposta de aumento salarial ao Departamento de Serviço Exterior, do ministério, pleiteando a equiparação dos oficiais com os diplomatas.

Segundo o porta-voz do movimento grevista, a proposta não foi aceita, mas uma contra argumentação foi apresentada pelo diretor do departamento, ministro de primeira-classe, Denis Fontes Pinto. A nova proposta, que teria sido aceita pelo movimento, equipararia os salários dos oficiais no topo de carreira com os salários dos segundos-secretários.

No entanto, em junho, o grupo foi avisado de que a contra-proposta da diretoria do Itamaraty não teria passado de uma simulação e que o Ministério do Planejamento não permitiria tal reajuste, no máximo um aumento de 19% para as três classes (incluindo no aumento o salário dos diplomatas).

Leia mais sobre: Itamaraty

    Leia tudo sobre: greve

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG