A greve da Polícia Civil, iniciada às 8 horas desta terça-feira em todo o Estado, já atinge mais de 90% das delegacias da capital e do interior, segundo a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP). O número de registros de ocorrência das 8h às 13h foi 54% menor que os do mesmo período da terça-feira da semana passada.

No interior do Estado, a ADPESP afirmou que, do total de 52 seccionais, 49 aderiram à greve e 3 pararam parcialmente. Os policiais pedem aumento salarial de 15% ainda este ano, mais 12% em 2009 e 12% em 2010. A greve é por tempo indeterminado.

O diretor da ADPESP André Dahmer ressaltou que, entre os registros na capital, 93% estão dentro do previsto pela "Cartilha de Greve", elaborada para ser seguida pelos policiais em todo o Estado. "Apenas 7% dos boletins, cerca de 14, são de ocorrências que não estão previstas na cartilha. Isso comprova a alta adesão da greve", disse Dahmer.

A cartilha prevê que todo o efetivo da polícia, cerca de 30 mil policiais, compareça normalmente às delegacias, mas só atenda casos de flagrante, homicídios, acidentes de trânsito com vítima fatal, mandado de prisão, seqüestros, latrocínios e roubo e furto de veículos. Casos considerados mais simples, como extravio de documentos, furtos, danos, acidentes sem vítimas, lesão corporal e estelionato, entre outros, não estão sendo registrados.

O diretor afirmou que a greve segue as determinações de liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) proferida em 12 de agosto, quando houve a primeira paralisação da categoria. Na ocasião, o TRT determinou que 80% do efetivo continuasse trabalhando no atendimento de casos mais graves. "Estamos mantendo 100% do efetivo", destacou.

De acordo com Dahmer, a categoria vem tentando negociar com o Estado desde o início do ano. Mas não houve avanço. "Depois que fizemos a primeira greve, em agosto, o governo aceitou negociar no TRT.

Nos ofereceram aumento de 7% para o ano que vem." Em agosto, a greve durou apenas sete horas, sendo encerrada imediatamente após o governo aceitar negociar. "Nossa greve é por tempo indeterminado até que o governo apresente uma contraproposta", afirmou. "Não é aceitável que um delegado, bacharel em Direito, concursado e que passa por um treinamento pesado após o concurso inicie sua carreira ganhando menos que um oficial de Justiça, que precisa só do segundo grau."

Secretaria

Nota distribuída pela Secretaria de Segurança Pública não comenta o nível de paralisação nas delegacias, mas acusa a categoria de intransigência. "Não querem dialogar. Optaram pela intransigência e pelo risco", diz a nota.

Embora se diga aberta ao diálogo, a secretaria, afirma que "não se pode colocar em jogo a segurança dos cidadãos e o governo vai às últimas conseqüências para evitar que isso aconteça. A Secretaria de Segurança Pública está atenta a todos os abusos e vai reportá-los prontamente à Justiça, além de agir para que a população não seja atingida, mobilizando todos os seus recursos nesse sentido."

Para o governo, as reivindicações da categoria são podem ser atendidas. Somados, alega o governo, os pedidos "representariam um acréscimo de R$ 3 bilhões à folha de salários da Polícia Civil, hoje da ordem de R$ 7 bilhões anuais".

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