O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que defende o italiano Cesare Battisti, disse hoje que seu cliente está sob constrangimento porque continua preso apesar de o ministro da Justiça, Tarso Genro, ter concedido a ele o status de refugiado há duas semanas. Para ser solto, Battisti precisa de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, até hoje, não foi tomada.

"Acho que ele já está há 12 dias preso sob constrangimento", afirmou. O advogado esteve hoje no STF para tentar falar com o relator do pedido de extradição, ministro Cezar Peluso.

Ele quer que Peluso determine a soltura de Battisti, já que, conforme jurisprudência do STF, os processos de extradição devem ser extintos quando o governo reconhece a condição de refugiado ao estrangeiro. A defesa de Battisti programou entregar hoje no STF uma cópia do abaixo-assinado em favor do italiano que recebeu a adesão de mais de 500 pessoas, entre elas o arquiteto Oscar Niemeyer.

"O que não compreendo é a pressão desmedida, desproporcional e ofensiva do governo italiano sobre as autoridades brasileiras", disse. "Acho que é uma ingerência, um desrespeito às autoridades brasileiras", falou o advogado. "Se outros motivos não houvesse para qualificar como democrática e progressista a decisão do governo brasileiro, basta considerar a reação do governo Berlusconi e de toda a classe política italiana, e facilmente se perceberá a justeza e o equilíbrio democráticos da decisão do governo brasileiro", argumenta o advogado no texto, encaminhado também ao ministro Tarso Genro.

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