Grécia tem 7o dia de protestos; premiê promete segurança

Por Renee Maltezou and Michele Kambas ATENAS (Reuters) - Manifestantes gregos voltaram a usar coquetéis molotov e pedras contra a polícia no lado de fora do Parlamento da Grécia nesta sexta-feira, no sétimo dia de protestos violentos após a morte de um adolescente pela polícia.

Reuters |

A tropa de choque usou gás lacrimogênio contra os manifestantes, que carregavam pôsteres dizendo "o Estado mata" e "o governo é culpado de assassinato", para tentar evitar que dezenas deles rompessem o cordão policial.

O premiê Costas Karamanlis disse nesta sexta-feira, em Genebra, que o país pode garantir a segurança de seus cidadãos e que está cumprindo com suas necessidades de financiamento e que isso continuará acontecendo sem problemas. O rendimento dos títulos do país disparou após os dias de protestos.

"A Grécia está cumprindo e vai (continuar a) cumprir suas necessidades de financiamento de forma tranquila", disse Karamanlis em entrevista coletiva em Bruxelas e televisionada para a Grécia.

Centenas de carros, bancos e estabelecimentos comerciais foram depredados nos protestos, deflagrados pela morte de um adolescente baleado pela polícia em 6 de dezembro, o que fez os jovens gregos expressarem sua raiva com a alta do desemprego, os baixos salários e uma série de escândalos políticos.

Fontes da polícia disseram que começou a faltar gás lacrimogênio após mais de 4,6 mil cápsulas terem sido usadas na última semana, e que Israel e Alemanha já foram contatados para ajudar no abastecimento do material.

"Todos acham que esse governo que mata precisa cair. O governo, em quatro anos, só levou a cabo reformas contra os estudantes", disse Maria Tsoupri, de 22 anos. "Não vemos um futuro. Só temos um futuro através da luta."

Karamanlis, cujo partido Nova Democracia detém a maioria por apenas uma cadeira e que viu os índices de popularidade despencarem nos últimos meses, expressou pesar pela morte do adolescente, mas condenou a destruição de propriedade privada.

No mercado de bônus, a diferença entre o rendimento dos títulos gregos e alemães --medida de percepção de risco-- atingiu o maior nível em uma década nesta sexta-feira, com mais de 2 pontos percentuais.

"Não... esperamos que os investidores esqueçam essa situação rapidamente", disse David Keeble, diretor de pesquisa em renda fixa do banco Calyon.

Na quarta-feira, centenas de milhares de gregos participaram de uma greve para protestar contra as privatizações, o aumento do impostos e a reforma previdenciária. Muitas pessoas, especialmente os 20 por cento de gregos que vivem abaixo da linha de pobreza, estão sendo duramente afetados pelos efeitos da crise global na economia da Grécia, de 240 bilhões de euros.

Karamanlis, que chegou ao poder durante a euforia causada pelas Olimpíadas de 2004, em Atenas, anunciou subsídios e medidas de alívio tributário para os mais afetados pelos protestos. Mas muitos lojistas disseram que o governo deveria ter protegido a propriedade deles.

Após quatro anos de governo conservador, uma série de escândalos, incêndios florestais devastadores e medidas econômicas mal-sucedidas apagaram o clima otimista de 2004.

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