Gravações da PF confirmam tentativa de suborno a delegado

SÃO PAULO - Escutas divulgadas pela Polícia Federal confirmam a tentativa de suborno de um delegado que participa da Operação Satiagraha pelo professor universitário, Hugo Chicaroni, e pelo ex-presidente da Brasil Telecom, Humberto Braz. Na escuta, que foi divulgada pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, Chicaroni confirma ainda que Braz seria o braço direito de Daniel Dantas e que a dupla agia para livrar das investigações o Daniel, a irmã e o filho.

Redação |


AE
Chicaroni e Braz teriam agido a mando de Dantas
"Hoje, ele (Humberto Braz) é o braço direito de Dantas", diz Chicaroni em conversa com o delegado. Em outra gravação, o professor universitário diz "a história é só livrar e tá (SIC) bom. Até onde sei é o Daniel, a irmã e o filho".

Chicaroni comenta ainda sobre a influência do banqueiro nas instâncias superiores da Justiça. "Ele resolve no STJ ou STF. O cara tem trânsito político ferrado".

Segundo a Polícia Federal, o megainvestidor Naji Nahas teria ajudado a levantar o dinheiro - cerca de R$ 1 milhão - para pagamento do suposto suborno. Na gravação, o delegado simula uma negociação sobre o valor a ser pago e o professor universitário responde: "já que ele ofereceu R$ 500 mil, pede R$ 1 milhão. Ele (Braz) já estava autorizado por Dantas a fazer o pagamento."

O delegado aparece ainda fornecendo os "documentos" da investigação, que foram conferidos por Humberto Braz. "Pode ver com calma. Tem sonegação, lavagem, evasão de divisas", diz o delegado durante a tentativa de suborno.

Centro de Detenção Provisória II

Nesta segunda-feira, a Polícia Federal divulgou que o ex-presidente da Brasil Telecom e suposto "braço direito" de Daniel Dantas, Humberto Braz, entregou-se. A assessoria de comunicação da PF disse que ele já foi transferido para o Centro de Detenção Provisória II (CDP II), de Guarulhos.

Braz é acusado pela PF de intermediar uma suposta tentativa de suborno de um dos delegados que participam da Operação Satiagraha. Segundo o Ministério Público Federal, Braz ofereceu, junto com o professor universitário Hugo Chicaroni - que está preso na sede da Polícia Federal em São Paulo -, cerca de R$ 1 milhão a um delegado em jantar em um bairro nobre de São Paulo.

O dinheiro teria sido oferecido por determinação de Dantas para que seu nome, o de Verônica Dantas, irmã do banqueiro, e de Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do Banco Opportunity, fossem retirados das investigações.

Impeachment

Agência Brasil
Mendes diz que não teme impeachment
Nesta segunda, procuradores da República em São Paulo disseram que estão preparando um pedido de impeachment (impedimento) de Gilmar Mendes , em protesto contra a decisão de conceder a suspensão da prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas.

Segundo procuradores, que disseram estar indignados, o presidente do STF efetuou o erro jurídico da supressão de instância mesmo tendo proferido dezenas de decisões contra esse tipo de falha.

Juízes federais de São Paulo  e Mato Grosso do Sul fizeram um ato de desagravo em solidariedade ao juiz Fausto De Sanctis. No ato, que  aconteceu no Fórum Criminal de São Paulo, o juiz evitou criticar o habeas-corpus concedido a Dantas por Gilmar Mendes, mas disse que a decisão lhe causou "estranheza" .

Na última sexta-feira, 130 juízes federais da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul) assinaram um abaixo-assinado em que se diziam indignados com a atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, de pedir ao Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da 3ª Região que investigassem a decisão do juiz federal Fausto de Sanctis.

Sem medo

Gilmar Mendes afirmou, no entanto, que não se preocupa com o suposto pedido de impeachment. "Não tem nenhum cabimento [o impeachment]. Eu compreendo que os procuradores fiquem contrariados com a eventual frustração de algum resultado de seu trabalho. Mas isso não justifica nenhuma outra medida. Eu não tenho nenhum medo desse tipo de ameaça e retaliação." , disse.

Mendes rechaçou ainda as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo as quais a única forma de alguém evitar uma investigação da Polícia Federal (PF) é "andar na linha". Lula fazia referência ao sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, preso duas vezes na semana passada, em razão da Operação Satiagraha.

"Eu tenho impressão que a Polícia Federal não tem essa missão na Constituição Brasileira", disse, há pouco em visita ao Grupo Estado, em São Paulo, reiterando as críticas ao que classifica de 'espetacularização' das prisões efetuadas nas operações deflagradas pela Polícia Federal. O ministro concedeu os dois habeas-corpus que libertaram Dantas das duas prisões efetuadas pela PF.

Em relação aos comentários do ministro da Justiça, Tarso Genro, que elogiou as ações da PF e disse haver preconceito de classe na discussão sobre o uso de algemas contra pessoas ricas, Mendes afirmou que o ministro "não tem competência para opinar sobre o assunto". "Não se trata de discutir se algemar é um abuso, mas se trata simplesmente de verificar se estão presentes os pressupostos de proporcionalidade para o uso da algema", afirmou.

"Estou convencido que a algema, e aqui não se fala em justiça de classes, pobres ou ricos, quando é dispensável, especialmente quando é destinada a expor o indivíduo a uma humilhação, realmente é indevida e, a rigor, incompatível com o Estado de Direito", disse o presidente do STF.

Consistente e legal

Agência Brasil
Lula embasa operação da Polícia Federal
Após reunião com ministros nesta segunda, o presidente Lula avaliou a Operação Satiagraha, da Polícia Federa, como exitosa e consistente, segundo assessores do Palácio do Planalto. Após um relato feito pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre os detalhes da ação, os ministros que se reuniram com Lula concluiram que, apesar das eventuais falhas, como o vazamento de imagens para uma emissora de TV, a Polícia Federal deverá produzir um inquérito dentro da legalidade.

Durante a reunião de Coordenação Política, Lula e seus auxiliares comentaram ainda o possível desgaste entre a Polícia Federal (PF) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e ressaltaram que as diferenças de opinião devem ser resolvidas no âmbito do Judiciário da forma que os envolvidos considerarem conveniente.

A operação deflagrada na semana passada prendeu, ao todo, 24 pessoas, entre elas o sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. No entanto, os três conseguiram habeas-corpus e atualmente encontram-se em liberdade. 

Além do presidente Lula participaram da reunião o vice-presidente, José Alencar, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monterio, o da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, da Justiça, Tarso Genro, do Planejamento, Paulo Bernardo, da Comunicação Social, Franklin Martins e o chefe de gabinete do presidente da República, Gilberto Carvalho.

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