O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse ontem que foi no contexto de uma conversa “de pai para filho” a menção que fez à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em uma gravação feita em abril do ano passado. Interceptação telefônica feita pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, captou uma conversa entre o senador e seu filho Fernando Sarney.

No diálogo, revelado pelo Estado , o presidente do Senado pergunta ao filho, que é empresário, se ele havia recebido informações da Abin, supostamente sobre um processo judicial que, então, corria em sigilo.

“Foi uma conversa de pai para filho, que não tem absolutamente nada, na qual estou recomendando a ele que se defenda. Não lembro de ter falado em Abin. É uma coincidência muito grande que no momento de uma disputa eleitoral (pela presidência do Senado), essas notícias apareçam”, disse Sarney. O Estado revelou o caso no dia 7. Sarney foi eleito no dia 2. Na gravação, Fernando pergunta ao pai se há alguma novidade sobre “aquele meu negócio”, que seria um processo sigiloso protocolado na 1ª Vara da Justiça do Maranhão. Sarney responde: “Não, até agora não me deram nada”. Fernando prossegue: “Muito bem, mas eu aqui já tive notícia, aqui do Banco da Amazônia”. O senador pergunta: “É, né? Da Abin?” E o filho responde: “Também.”

A PF informou que a menção à Abin não foi suficiente para abrir investigação específica a fim de apurar se o órgão passou para a família Sarney informações sobre uma operação policial em andamento. Ontem à noite, em evento na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sarney disse ser a favor do projeto, já aprovado pela Câmara, que torna os escritórios de advocacia invioláveis em operações policiais. “Quero manifestar aqui meu apoio a essa iniciativa e afirmar que, na Presidência do Senado, farei de tudo para que essa lei que criminaliza quem viola as prerrogativas da advocacia seja aprovada o mais rapidamente possível.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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