A proposta de criação de um curso de segurança pública na graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na Grande Rio de Janeiro, motivou protestos na instituição. Foram espalhados pelo campus cartazes com frases como Fora polícia da UFF.

O projeto é do Departamento de Antropologia e está em discussão no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF). A idéia é levar para a graduação o curso de especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública, que foi criado em 2000, com apoio da Secretaria de Segurança do Estado.

Atualmente, a pós-graduação é financiada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, e prevê a reserva de pelo menos 40 das 60 vagas oferecidas para "operadores de segurança". "Conversei com professores que tiveram acesso à grade curricular. É um curso para repressão mesmo. No projeto, dizem que o objetivo é repensar e discutir os métodos da polícia, mas pelo jeito é para legitimar essa ação", disse Caroline Couto, de 25 anos, aluna do 6º período de ciências sociais.

O projeto é do professor Roberto Kant de Lima, que coordena o curso da pós-graduação. Ele diz que o curso não seria destinado exclusivamente a policiais e afirma que os críticos partem de um conceito preconceituoso. "Policiais não têm o direito de estudar numa universidade pública e gratuita? Isso é etnocentrismo. O curso será aberto para o público em geral. Queremos formar pesquisadores, analistas, formuladores."

Kant afirma que há uma "confusão" no Brasil que associa segurança pública a "coisa de polícia". "Chegamos à conclusão de que é mais importante atuar na graduação para introduzir uma nova concepção de segurança pública. É muito difícil fazer isso com os que já estão formatados por outra ideologia, que associa a segurança pública à segurança do Estado", afirmou o professor. Kant disse que a decisão deverá sair até o fim de agosto, após reunião do colegiado do ICHF. Se for criado, o curso será oferecido somente a partir de 2009.

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