Governos americanos e crime organizado ameaçam a liberdade de imprensa

Os governos americanos e o crime organizado representaram no último ano uma ameaça para o exercício da liberdade de expressão, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Enrique Santos, ao inaugurar a 65a. assembleia geral em Buenos Aires.

AFP |

"Vemos uma sistemática e agressiva desqualificação que fazem os chefes de Estado aos meios que não são seu adeptos", afirmou Santos, em um discurso aplaudido pelos cerca de 300 participantes no fórum.

O titular da SIP mencionou a Argentina, Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, México e Honduras entre os países onde há ameaças de vários tipos, através de leis, censuras e outras restrições, ou assassinatos por parte de organizações criminosas.

Na véspera, a SIP já havia expressado sua preocupação a respeito do aumento da censura e de recentes decisões judiciais no Brasil envolvendo meios de comunicação, que podem limitar ou prejudicar a liberdade de imprensa.

As declarações foram feitas durante a revisão semestral sobre liberdade da informação nas Américas da organização, realizada no domingo, quando o organismo denunciou ameaças à liberdade de imprensa em todo o continente.

"A liberdade de imprensa está sendo perseguida em vários países do continente", alertou Santos, ao dar início às discussões para formular severas advertências contra relatos de ataques, perseguições e ameaças contra a imprensa.

No Brasil, a organização registrou "um aumento da censura prévia em casos de ordem judicial com proibição de divulgar informações sobre temas específicos", indicou Sidnei Basile, do jornal O Estado de São Paulo, que apresentou um relatório à assembleia da SIP.

Ele afirmou que esta situação "é um vexame para a democracia brasileira".

Segundo Basile, causam preocupação decisões como a tomada pelo Supremo Tribunal Federal em junho, que declarou inconstitucional a exigência do diploma de jornalista como condição para o exercício da profissão.

Além disso, outras decisões judiciais "deixam a imprensa brasileira vulnerável diante da falta de parâmetros para o direito de resposta exigido por pessoas que se consideram prejudicadas", acrescentou.

"Os ataques verbais a jornalistas continuam, principalmente por parte do presidente (Luiz Inácio) Lula da Silva", destacou Basile.

"A situação da liberdade de expressão é motivo de preocupação porque atualmente tramitam 349 projetos, dos quais a maioria tem como objetivo restringir a publicidade nos meios de comunicação", concluiu.

Para Robert Rivard, presidente da comissão de Liberdade de Imprensa, o último semestre "foi o mais complicado em anos para a situação da liberdade de imprensa no continente americano".

"Dezesseis jornalistas foram assassinados: oito no México, três em Honduras, dois na Guatemala, dois na Colômbia e um em El Salvador", indicou.

Rivard ressaltou que esta situação acontece "em um clima geral de insegurança pública e enquanto os presidentes continuam fazendo campanhas de desprestígio contra a imprensa".

Na Argentina, a SIP destacou a recente aprovação de uma lei apresentada pelo governo que impões restrições à propriedade dos meios de comunicação.

"Há uma escalada do poder político contra os meios que representa um retrocesso e uma ameaça contra a liberdade de imprensa", disse Francisco Montes, do Diario de Cuyo, que elaborou um relatório sobre a situação no país.

Montes citou a greve de um sindicato ligado ao governo que nos últimos dias prejudicou a distribuição dos dois jornais de maior circulação da Argentina, o Clarín e o La Nación.

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