Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior projeta que as exportações brasileiras sofrerão este ano a primeira queda em 10 anos, de 19 por cento, e somarão 160 bilhões de dólares.

O desempenho representaria uma estabilização em relação ao primeiro trimestre do ano, quando a retração da demanda mundial levou as exportações do país a acumularem baixa de 19,4 por cento frente ao ano anterior na comparação pela média diária. No mesmo período, as importações recuaram 21,5 por cento.

"A estimativa não é a nossa meta. Queremos que seja mais do que isso, é um desafio, vai depender de uma crise que está lá fora", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, a jornalistas.

Ao contrário do que ocorre normalmente, o ministério iniciou 2009 sem meta para as exportações por conta da volatilidade mundial. A primeira estimativa foi divulgada nesta quarta-feira e coincide com prognóstico do Banco Central, que aposta em queda de 21 por cento nas vendas externas.

As exportações brasileiras vêm sofrendo fortemente os efeitos da crise, mas a desaceleração das importações tem sido ainda maior, acompanhando a desaceleração da economia doméstica e a desvalorização do real frente ao dólar.

Refletindo esse descasamento, o saldo comercial subiu no trimestre apesar da forte queda da corrente de comércio. O superávit no ano está em 3,012 bilhões de dólares, ante 2,761 bilhões de dólares em igual período de 2008.

Para o diretor da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, essa vantagem, contudo, será revertida ao longo do ano.

"O saldo comercial tende a cair bem no ano de 2009. Eu acho que as exportações vão cair mais do que as importações", afirmou.

"O Brasil perde de dois lados --de um lado pela própria deseceleração da economia global e também pelo preço das principais commodities, que continua muito fraco."

Nos primeiros três meses do ano, as exportações brasileiras de produtos básicos aumentaram 1,7 por cento, enquanto as de manufaturados despencaram 29 por cento e a de semimanufaturados, 23 por cento.

Nas importações houve queda em todas as categorias de uso: bens de capital (-6 por cento), bens de consumo (-1 por cento), matérias-primas e intermediários (-27 por cento) e combustíveis (-38 por cento).

O ministério do Desenvolvimento não faz projeções para as importações, mas Barral disse acreditar que a balança comercial fechará o ano com superávit.

"O que nós esperamos é que haja uma estabilização da economia internacional, mesmo sabendo que a recuperação efetiva da economia só se dará no resto do mundo depois de 2010", afirmou.

DEMANDA CHINESA AQUECIDA

Os dados do governo mostram que a demanda da China tem contribuído para conter a queda das exportações brasileiras.

De janeiro a março, as vendas para o país asiático aumentaram 63 por cento, enquanto as destinadas à Argentina amargaram queda de 44 por cento e para os Estados Unidos, queda de 38 por cento.

Em março, o Brasil registrou superávit com a China, de 508 milhões de dólares, pela primeira vez desde setembro e a China foi o principal comprador dos produtos brasileiros, com participação de 10 por cento.

Segundo o ministério, as exportações de minério de ferro, soja, aeronaves a açúcar para a China são algumas das que mais estão crescendo, influenciadas principalmente por uma elevação dos volumes embarcados (e não de variações de preços).

O superávit comercial total do Brasil foi de 1,771 bilhão de dólares em março, ante superávit de 988 milhões de dólares há um ano. As exportações caíram 14,9 por cento em março, pela média diária, frente ao mesmo período de 2008, para um total de 11,809 bilhões de dólares. Na mesma comparação, as importações sofreram queda de 21,5 por cento, somando 10,038 bilhões de dólares.

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