BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira que as políticas anticíclicas adotadas pelo Brasil têm dado bons resultados e reafirmou que o país crescerá ao redor de 1 por cento neste ano. O governo, porém, vai endurecer sua política de gastos. Segundo ele, há sinais de melhora da economia mundial, como o restabelecimento dos níveis de confiança e crédito. No entanto, disse, as economias ricas passarão ainda por momentos de dificuldade.

"Nós não podemos contar muito com a recuperação da economia internacional num breve espaço de tempo", afirmou.

"A avaliação que nós fazemos é que as políticas anticrise, as políticas anticíclicas têm dado um bom resultado no Brasil, talvez até um resultado superior a uma boa parcela de países emergentes", disse Mantega a jornalistas, após a segunda reunião ministerial do ano.

Segundo Mantega, o Brasil terá um desempenho fiscal em 2009 superior a todos os países do G20, com um déficit nominal em torno de 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

"É um desempenho muito satisfatório (frente ao) tamanho da crise que estamos", comentou.

O ministro lembrou que há uma retomada do crescimento da atividade da indústria, do crédito e da geração de empregos. "Devemos terminar o ano com saldo positivo de empregos."

Os sinais de recuperação não foram suficientes para garantir a expansão dos gastos, tanto que o governo fez questão de anunciar na metade do ano os limites de despesas dos ministérios.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o governo tem uma margem mínima para ajustes no Orçamento deste ano e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os ministros respeitem os limites de gastos definidos pela equipe econômica para 2010.

Para o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), deverão ser destinados 22 bilhões de reais no Orçamento de 2010.

"O presidente... determinou que os ministros sigam estritamente o limite de gastos tanto para 2009 quanto para 2010", disse Bernardo.

O ministro da Fazenda recusou-se a comentar os rumores de que teria demitido a secretária da Receita Federal, Lina Vieira.

(Reportagem de Fernando Exman e Natuza Nery)

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