Governo vai criar consultórios móveis para combate ao crack

Unidades serão responsáveis por realizar primeiro atendimento a usuários de drogas

Valor Online |

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse neste sábado, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, que o governo federal vem estudando um conjunto de ações envolvendo vários ministérios para lançar, em breve, um plano amplo de enfrentamento ao crack e outras drogas. A iniciativa, segundo ele, inclui o serviço de consultórios móveis - também chamados de consultórios de rua - especializados no primeiro atendimento aos usuários de drogas.

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Agência Estado
Segundo o ministro da Saúde, já está sendo desenhada uma ação conjunta dos governos federal, estadual e municipais em cidades como São Paulo
"Uma das estratégias são os consultórios nas ruas. Haverá profissionais ( de saúde ) em unidades móveis que irão para as ruas, sobretudo onde tem as cracolândias ou cenas de usos ( de drogas ), para fazer uma busca ativa nessas pessoas que são dependentes químicas, oferecendo tratamentos para elas", disse o ministro, em entrevista à imprensa antes de discursar para trabalhadores e sindicalistas presentes ao 7º Congresso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Segundo Padilha, 80 consultórios de rua já estão atuando nos grandes centros do País, e a expectativa é de o programa ser levado para outras cidades. "Os consultórios nas ruas vão avaliar se a pessoa tem indicação de internação, se ela tem risco de vida. Sou absolutamente contra qualquer política de recolhimento compulsório. Isso não é feito pelo pessoal de saúde, mas por policiais que, as vezes, não estão preocupados sobre em qual lugar essa pessoa vai ficar. Temos a política de fazer uma busca ativa ( por dependentes ). Em cada cidade, esse modelo estará adaptado à sua realidade", disse.

O ministro declarou ainda que os consultórios de rua serão instalados em todas as cidades do ABC paulista e também na capital. "Na conversa que tivemos com o prefeito ( Gilberto ) Kassab e com as secretarias municipal e estadual de Saúde, acreditamos que houve interesse da prefeitura em apoiar a melhoria da rede de saúde, sobretudo as ações de sair em busca ativa, onde as pessoas estejam. O Ministério da Saúde quer ajudar o município a ter mais médicos, enfermeiros e profissionais nas ruas exatamente para que a primeira abordagem seja feita por profissionais de saúde."

Segundo Padilha, a presidenta da República, Dilma Rousseff , tem exigido que esse novo plano de enfrentamento ao crack consista em uma ação conjunta, envolvendo os ministérios da Justiça, Educação e do Desenvolvimento Social, além da Saúde. "A presidenta tem exigido que esse plano tenha ações de vários ministérios. A presidenta Dilma, a ministra-chefe da Casa Civil ( Gleisi Hoffmann ) e o ministro da Justiça ( José Eduardo Cardozo ) têm coordenado esse detalhamento do plano. Queremos um plano que não seja só um anúncio de ações, mas medidas acontecendo de imediato", disse o ministro sem detalhar quando o plano será lançado.

Durante discurso, o ministro falou também da necessidade dos estados "apertarem a fiscalização" sobre a Lei Seca, proibindo que pessoas alcoolizadas dirijam. "Se bebeu, não pode dirigir. Os estados que apertaram a fiscalização, como é o caso do Rio de Janeiro, reduziram em quase 30% os acidentes de carro e de moto", disse. Ao final Padilha destacou a necessidade de discutir formas de financiar a saúde no país e sugeriu que esse debate seja feito junto com a reforma tributária.

*Com informações da Agência Brasil

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