Governo taxa operações com ADR com alíquota de 1,5%

BRASÍLIA (Reuters) - O governo decidiu taxar com alíquota de 1,5 por cento as operações com recibos de ações brasileiras negociadas no exterior, com o objetivo de restringir a migração de investidores do mercado local depois da cobrança de IOF anunciada no mês passado. Segundo anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira, a cobrança busca equalizar os mercados.

Reuters |

No mês passado, o governo anunciou a cobrança de 2 por cento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros voltados a renda fixa e ações no Brasil, como forma de tentar conter a valorização do real.

Com a medida, muitos investidores em bolsa passaram a negociar apenas ADRs, para evitar a taxação. Mas outros compravam ADRs com o objetivo de cancelar os recibos, para receber em troca ações no mercado doméstico e, assim, escapar da incidência de IOF.

Representantes da BM&FBovespa queixaram-se ao governo que a taxação aplicada no mês passado impunha um risco ao mercado acionário brasileiro, num momento de forte recuperação após a crise global.

"Estamos equalizando a situação... Dessa maneira, nós estaremos evitando que haja uma migração de operações do Brasil para o exterior", disse o ministro.

Segundo Mantega, quase um mês após a adoção de IOF de 2 por cento sobre investimentos externos em ações e renda fixa a avaliação é de que a medida "foi positiva e atingiu os objetivos".

"E quais eram esses objetivos? Eram atenuar uma tendência de excesso de valorização do real que estava ocorrendo no período anterior", disse.

O dólar fechou a quarta-feira estável, a 1,717 real, mas acumula baixa de mais de 26 por cento sobre a moeda brasileira no ano.

(Reportagem de Ana Nicolaci da Costa; Texto de Daniela Machado)

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