Governo suíço sugere sexo sem camisinha com soropositivos

Para o governo suíço, os remédios contra a aids já permitem que uma pessoa contaminada pelo HIV e sem sintomas, mas que tome regularmente os medicamentos, possa manter relações sexuais sem preservativo - e sem o risco de contaminar seu parceiro. Pela primeira vez, autoridades sanitárias de um país admitem que vão recomendar, em situações muito especificas, que uma pessoa infectada pelo vírus da doença possa ter relações sexuais sem camisinha, o que surpreende e já causa polêmica.

Agência Estado |

O uso de drogas anti-HIV como método de prevenção contra a doença também causou intenso debate na Conferência Internacional de Aids, que termina hoje no México. Funcionários do programa de aids das Nações Unidas apontaram que a medida é uma "irresponsabilidade" e que são necessários mais estudos antes de recomendar remédios como método preventivo equivalente a camisinha.

Hoje, recomenda-se que portadores do HIV mantenham relações somente com o preservativo, mesmo que estejam utilizando remédios. A mudança também contraria estudos que demonstram que em relações sexuais sem o uso do preservativo há muito mais risco de contaminação pelo HIV. O governo suíço informou ter tomado a decisão baseado também em estudo que avaliou pacientes no Brasil. Destacou ainda que a medida tem como objetivo "melhorar a qualidade de vida das pessoas contaminadas" e garantir uma "vida sexual normal".

No Brasil, no entanto, o governo mantém como base da política de prevenção o uso de preservativos. O País defende, porém, o direito de pessoas com
HIV a reprodução e fornece tratamento para evitar a contaminação de filhos de soropositivos.

Pela recomendação da comissão do Departamento de Saúde da Suíça, algumas condições precisam ser cumpridas para que portadores do HIV
possam ter relações sem o preservativo. O paciente precisa seguir rigorosamente uma terapia antiviral e ser monitorado regularmente. Por seis meses não deve ser encontrado o vírus em suas amostras de sangue e ele não deve ter outras doenças sexualmente transmissíveis.

Pesquisa

O presidente da Comissão Suíça para Questões Ligadas à Aids (CFS, na sigla em francês), Pietro Vernazza, garante que "uma pessoa portadora do vírus HIV, submetida a uma terapia anti-retroviral que funciona, não transmite o vírus da aids por contatos sexuais". As autoridades suíças citaram um estudo feito em Porto Alegre, entre 2000 e 2006, com 93 casais sorodiferentes (quando um dos parceiros não é soropositivo), sendo que 41 dos parceiros portadores do HIV iniciaram a terapia.

O resultado mostrou que seis parceiros foram contaminados pelo HIV de pessoas não tratadas. Estudo feito durante 14 anos na Espanha também foi usado. A diretora do Programa Nacional de Aids, Mariangela Simão, que está no México, destacou que ainda faltam evidencias cientificas para justificar a medida tomada pelo governo suíço. "Esta é uma questão que precisa ser vista com cuidado", disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

Jamil Chade

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