Governo quer limitar emissões de CO2 a níveis de 2005, diz Minc

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro cogita limitar as emissões de gases do efeito estufa aos níveis de 2005, proposta que está sendo finalizada para ser apresentada na cúpula climática da ONU em dezembro, disse nesta terça-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

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O ministro afirmou ter proposto essa meta em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com outros ministros. O Brasil deve definir neste mês sua proposta final para a reunião de Copenhague, em que o país deve ter participação importante na negociação de um novo tratado global contra a mudança climática.

"Podemos chegar a 2020 com níveis semelhantes aos de 2005, mesmo crescendo 4 por cento (ao ano em termos econômicos)", disse Minc a jornalistas depois da reunião.

O Brasil emitiu cerca de 2,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono ou equivalente em 2005, a maior parte disso por causa do desmatamento da Amazônia. Se o país não adotar medidas de mitigação, suas emissões aumentariam para 2,8 bilhões de toneladas até 2020, disse Minc.

"Não teve muita divergência sobre isto, houve propostas alternativas sobre a implementação", afirmou o ministro, acrescentando que uma decisão final será anunciada a partir de 20 de outubro. Congelar as emissões nos níveis de 2005 custaria ao Brasil pelo menos 10 bilhões de dólares por ano, segundo ele.

Em uma outra medida para reduzir as emissões, o governo decidiu nesta semana ampliar as metas de controle do desmatamento na Amazônia. A nova meta é de uma redução de 80 por cento no desmatamento até 2020, com relação a uma média anual de 19,5 mil quilômetros quadrados entre 1996 e 2005.

A meta anterior, anunciada no final do ano passado, era uma redução de 70 por cento até 2017.

A queima e decomposição de árvores emitem gases do efeito estufa, e a destruição da Amazônia representa cerca de 70 por cento das emissões brasileiras.

Um pequeno grupo de ativistas do Greenpeace protestou na terça-feira em frente ao Palácio do Planalto, pedindo que o governo adote como meta o desmatamento zero até 2015 e que aumente o uso de energias renováveis.

"O Brasil é uma das maiores economias do mundo e um dos maiores emissores de gases do efeito estufa. É hora de adotar metas de acordo com seu tamanho e responsabilidade", disse João Talocci, coordenador climático do Greenpeace.

O desmatamento da Amazônia nos 12 meses prévios a julho deve cair para cerca de 9,5 mil quilômetros quadrados, o menor em 20 anos.

Minc, que diz que deverá deixar o cargo em março para disputar as eleições de 2010, ajudou o governo Lula a adotar controles ambientais mais rígidos, e faz lobby por metas de emissões mais ambiciosas.

Durante a reunião de terça-feira, que incluiu o chanceler Celso Amorim e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, os participantes disseram que Minc parecia ter mais apoio do que o normal.

"Vi muita convergência (entre os participantes)", disse Carlos Nobre, especialista climático do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais. "Lula deixou claro que o Brasil deveria ter um papel de liderança no clima", acrescentou.

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