Governo quer ampliar centros de atendimento em genética clínica

Existem hoje no Brasil apenas 156 médicos geneticistas, segundo dados da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), e 63% deles estão concentrados no Sudeste. São cerca de 15 centros de excelência, a maioria também no Sul e Sudeste.

Agência Estado |

Apesar disso, o Ministério da Saúde quer implantar, até 2011, um centro de referência em genética clínica para cada 2 milhões de habitantes - cerca de cem centros ao todo.

A portaria para essa política deveria ter sido publicada em dezembro passado, mas, segundo a reportagem apurou, o texto teve de retornar à Secretaria de Atenção à Saúde por recomendação da assessoria jurídica. O coordenador do Departamento de Atenção Especializada do ministério, Joselito Pedrosa, explica que o objetivo da nova política é organizar e ampliar os serviços já existentes na área para atender três grupos de doenças: anomalias congênitas, erros inatos do metabolismo e deficiência mental de causa genética.

O eixo principal, diz ele, será o aconselhamento genético, que atenderá tanto casais que pretendem ter filhos e suspeitam ser portadores de genes de doenças hereditárias. “Faltam profissionais especializados para fazer esse diagnóstico e o encaminhamento correto desses pacientes. Há também dificuldade de acesso a exames mais complexos”, diz Pedrosa. No entanto, segundo ele, incluir o procedimento no SUS não é suficiente. "Precisamos organizar a rede de serviços para que o paciente tenha um cuidado continuado por equipe multidisciplinar".

Para resolver a questão da falta de especialistas em genética, o presidente da SBGM, Salmo Raskin, aposta no treinamento dos médicos que atuam nos postos e no Programa Saúde da Família. “Essas 10 ou 15 ilhas de excelência na área já existentes podem ser facilmente adaptadas de início e acredito que é isso que vai ocorrer este ano, mas para levar os serviços a todo o País até 2011 será preciso bem mais do que os R$ 3 milhões previstos pelo ministério”, continua Raskin. Já Pedrosa diz acreditar que o valor estimado seja suficiente para um primeiro momento. “Não vamos contratar mais profissionais, mas articular os serviços que existem”, argumenta.

Karina Toledo

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