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Governo prorroga por 30 dias sindicância sobre dossiê

Suspeita de ter operado a montagem do suposto dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos, a chefe interina da Casa Civil, Erenice Guerra, assinou hoje um decreto prorrogando por 30 dias o prazo de conclusão dos trabalhos da comissão de sindicância criada pelo governo para apurar o vazamento das informações. Erenice substitui a ministra Dilma Rousseff, que está no Japão.

Agência Estado |

O texto que estabeleceu mais prazo para as investigações estava encoberto por uma linguagem jurídica: "Fica prorrogado até 26 de maio de 2008 o prazo para conclusão dos trabalhos de que trata o artigo 3º da Portaria 218, de 24 de março de 2008." Para saber o que dizia a portaria, era necessário recorrer à edição de 24 de março do Diário Oficial da União (DOU), e, aí, então, era possível saber que o ato administrativo definia a prorrogação do prazo de conclusão dos trabalhos da comissão de investigação por 30 dias.

O ato original que criou a comissão foi assinado por Dilma, que está em viagem oficial ao Japão, Coréia e Estados Unidos. Paralelamente aos trabalhos da comissão da Casa Civil, a Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar não só quem vazou, mas quem preparou o suposto dossiê, que o governo diz que não existe e chama de "banco de dados".

A PF, em linha contrária ao que diz a administração federal, entende que um dossiê foi produzido e que investiga, nesta fase, a partir de que computadores foi feito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que exista dossiê, classificou o vazamento das informações como "um crime grave" e disse que houve um "roubo", acrescentando que isso era inadmissível e que queria saber "quem é que anda roubando documento dentro do Palácio do Planalto" e vendendo para jornalistas como se fosse uma "novidade daquelas, como se tivessem descoberto a mina do rei Salomão".

Trabalho

A Casa Civil não informa que tipo de trabalho a comissão realiza ou quem foi ouvido nestes primeiros 30 dias, desde a instalação. Avaliação de auxiliares de Lula é que a comissão pode ter adiado os trabalhos para esperar que a PF dê o parecer sobre o vazamento de dados. Um dos integrantes da comissão, constituída em 24 de março, Edimar Fernandes de Oliveira, corregedor-geral substituto da Advocacia-Geral da União (AGU), atuou num outro grupo instalado no Palácio do Planalto, que não chegou a conclusão nenhuma.

Oliveira integrou a comissão criada em 2004 para investigar o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da pasta Waldomiro Diniz, então homem de confiança do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu (PT-SP). Waldomiro foi acusado de cobrar propina do empresário de loterias Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , e contribuições para campanhas políticas de candidatos do PT.

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