Varsóvia, 28 jul (EFE) - O Ministério de Cultura polonês rejeitou hoje o pedido de um grupo de cientistas que queria analisar o coração do compositor Frédéric Chopin, conservado em álcool em uma igreja de Varsóvia, para determinar as causas da morte do músico.

Os cientistas queriam provar que Chopin não morreu de tuberculose, como se acreditava até agora, mas devido a uma fibrose cística.

O atestado de óbito do célebre artista (1810-1849) indica que ele morreu em Paris por causa de tuberculose, embora o professor Wojciech Cichy, membro da faculdade de Medicina da Universidade de Poznan (leste da Polônia), assegure há meses que a realidade foi bem diferente.

Após a decisão do ministério, será impossível comprovar esta teoria e a verdadeira causa da morte do compositor, nascido em Varsóvia filho de pai francês e mãe polonesa, continuará sendo um mistério.

O ministro da Cultura polonês, Bogdan Zdrojewski, informou em comunicado que, após três meses de negociações com a família do músico, não foi possível obter uma autorização que permita aos pesquisadores analisarem o DNA do coração.

O órgão está conservado como uma autêntica relíquia em um frasco vedado, dentro de uma coluna da Igreja de Santa Cruz da capital polonesa.

Enquanto isso, a sociedade polonesa se divide entre aqueles que consideram que os restos do artista deveriam ser investigados e os que apóiam o ministério, perante a falta de uma evidência clara que respalde a teoria levantada pelos especialistas e justifique a análise.

O coração do compositor foi levado à sua cidade natal por expresso desejo do músico, e só mudou de lugar por razões de segurança durante a Segunda Guerra Mundial.

Chopin é uma das grandes figuras da Polônia e um dos pianistas mais importantes da história, apesar de só ter vivido até os 39 anos, devido à sua saúde frágil que o levou inclusive a buscar um alívio no clima de Mallorca, onde morou em 1838 em companhia de sua parceira, a escritora francesa George Sand.

A fibrose cística e suas ramificações genéticas só foram descobertas em 1932, 83 anos depois da morte do compositor. EFE nt/db

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