Governo nega proteção especial a acusados do MST

O governo de Pernambuco não vai dar proteção especial aos sem-terra de São Joaquim do Monte, a 137 quilômetros do Recife, no agreste, como pediu, em nota divulgada ontem, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A obrigação do governo é dar proteção a quem está sob custódia do Estado, afirmou o secretário estadual de Articulação Social, Waldemar Borges.

Agência Estado |

Ele se referia aos dois integrantes do movimento - Aluciano Ferreira dos Santos, 31 anos, e Paulo Cursinho Alves, 62 - que estão detidos no presídio de Caruaru, também no agreste, acusados da morte, na tarde do sábado, de quatro seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte. De acordo com o MST, o crime foi em legítima defesa e o seu líder, Jaime Amorim, disse temer represália contra os trabalhadores que se concentraram na Fazenda Jabuticaba, próxima à Consulta, depois do episódio.

De acordo com Valdemar Borges, somam 11 as reintegrações de posse já concedidas pela justiça a cada uma das fazendas - Consulta e Jabuticaba - reivindicadas pelo MST. Ele observou que o governo tem procurado mediar a situação, na busca de uma solução, mas tem seus limites, "e o limite é a lei".

"Nenhum movimento tem o direito de matar pessoas", frisou o governador Eduardo Campos (PSB), ao afirmar que não prejulga nem criminaliza o MST. "O inquérito é que vai indicar o que aconteceu e a justiça é que vai julgar. Observou, no entanto, que "pessoas do movimento cometeram o crime e têm que responder por ele". "O governo não tolera violência nem de um lado, da parte de fazendeiros sobre os trabalhadores, nem do outro", disse Eduardo Campos, ao observar que o governo agiu de pronto, prendendo dois dos acusados do crime. "A apuração está sendo feita com rigor".

O delegado de São Joaquim do Monte, responsável pelas investigações, Luciano Francisco Soares, informou que continua na busca dos outros dois sem-terra foragidos - um deles ferido no conflito, Romero Severino da Silva, e um outro não identificado - que estariam diretamente envolvidos no crime. Na quinta-feira, ele ouvirá o depoimento de um segurança da Fazenda Consulta que conseguiu escapar da chacina.

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