BRASÍLIA ¿ Não houve um entendimento na primeira reunião para discutir a proposta que o governo brasileiro vai levar à Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, a ser realizada na Dinamarca, em dezembro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concordou em bancar a redução de 80% do desmatamento da Floresta Amazônica, como já havia dito em seu programa semana, ¿Café com Presidente¿, mas pediu uma nova discussão em relação à meta da redução de emissão de gases de efeito estufa.


O documento que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, levou a Lula no encontro desta terça-feira propõe um congelamento da emissão de CO2. Assim, em 2020, o índice estaria semelhante ao de 2005. De acordo com ele, se o ritmo atual for mantido, considerando um crescimento de 4% do PIB nacional, o Brasil vai alcançar números 30% maiores.  Lula não bateu o martelo e pediu que os números fossem repensados. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, recomendou que as projeções levassem em conta o incremento anual de 5% do PIB nacional, apostando em um bom cenário econômico.

O compromisso de redução de 80% do desmatamento foi comemorado por Minc. Segundo ele, já havia uma meta de redução de 70% acertada após um levantamento nacional. Contudo, agora, a redução vai ter um caráter diferente. Será um compromisso internacional, afirmou.

Ele evitou dizer quais seriam as outras opções de metas do governo em relação à emissão de gases de efeito estufa. Além de sua proposta, foram apresentados ao presidente um documento do Ministério da Ciência e Tecnologia e outro elaborado por brasileiros membros do Painel intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Os dois, no entanto, não chegaram a tratar de metas de redução. Essa [meta de congelar o volume de emissão de CO2] é uma proposta do Ministério do Meio Ambiente. Está sendo estudada, afirmou Minc.

Secretário do Fórum Brasil de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que o presidente terá uma árdua tarefa em conciliar as diferentes demandas. Ele se reuniu com representantes empresariais, de sindicatos e organizações não-governamentais (ONGs) antes de sentar-se à mesa com Lula. O governo vai ter um trabalho grande em conciliar as diferentes posições. Não será uma tarefa fácil.

As centrais sindicais defendem que sejam aplicados recursos públicos no combate ao desmatamento. Enquanto isso, os governadores estaduais dos estados da Amazônia e os representantes das empresas pedem uma partilha do dinheiro obtido com a comercialização de crédito de carbono.

Posição firme

Minc disse que o Brasil irá para a conferência da ONU com uma posição firme para cobrar a redução de emissão do gases poluentes dos países avançados e mais financiamento às políticas de combate ao desmatamento dos países emergentes.  Segundo ele, Lula quer que os países avançados cortem 40% de suas emissões de CO2 ¿ valor máximo recomendado pelo IPCC - e que os fundos para combate ao desmate sejam montados com recursos do Tesouro das nações ricas.

Os países ricos têm que fazer a maior parte do esforço, disse. Ele contou também que o presidente Lula vai combater a opinião de que os países emergentes sejam os maiores responsáveis em reverter o quadro climático mundial. [O presidente] Vai se esforçar para mostrar que a responsabilidade maior seja dos fundos públicos constituídos com dinheiro do Tesouro dos países avançados.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que deixou a reunião antes de seu término, engrossou o discurso de seu colega. O Brasil quer adotar uma posição de protagonismo, coerente com sua pretensão de desenvolvimento sustentável.

Na manhã desta quarta-feira, representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia, da Fazenda e do Palácio do Itamaraty vão se reunir para tentar fechar os pontos da proposta que o Brasil levará para Dinamarca. Caso as quatro pastas cheguem a um acordo até a próxima segunda-feira (19), o presidente fará uma nova reunião no dia 20 de outubro.

No encontro de hoje, Lula cogitou a possibilidade de conversar com os presidentes dos países sul-americanos amazônicos, para discutir as metas de redução do desmate, antes da convenção da ONU.

Leia também:

Leia mais sobre meio ambiente  -

desmatamento

    Leia tudo sobre: lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.