Governo monitora 20 possíveis casos de gripe suína no país

BRASÍLIA (Reuters) - Autoridades sanitárias brasileiras monitoram o estado de saúde de 20 pessoas que apresentam alguns sintomas da gripe suína, que já matou 149 pessoas no México e se espalhou para sete países. Dos casos notificados ao Ministério da Saúde, ao todo quatro pacientes estão no Paraná, três em Minas Gerais, outros três no Amazonas e mais três em Santa Catarina. Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Norte apresentam dois possíveis casos cada um. E o Pará tem um caso possível da doença.

Reuters |

De acordo com o Ministério da Saúde, em todos os casos sob investigação os pacientes estiveram em locais onde houve confirmação da doença, como o México, os EUA e o Canadá. Esses casos continuam sendo monitorados pelas Secretarias Estaduais de Saúde.

Segundo o ministério, no entanto, nenhum dos pacientes preenche a definição de caso suspeito conforme critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que inclui uma febre repentina superior a 38 graus, acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, dificuldade respiratória, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, além de ter estado no México, no Canadá ou nos Estados Unidos nos últimos dez dias.

Na terça-feira, a direção do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) informou que os três pacientes que foram hospitalizados com sintomas da gripe suína continuavam internados, apesar de apresentarem quadro estável.

Um casal que chegou de Cancún na própria segunda-feira e um homem que chegou de Nova York há alguns dias foram internados por apresentarem febre, coriza, tosse e outros sintomas após chegarem de áreas onde há confirmação da incidência da gripe suína.

Segundo a direção do hospital, o resultado dos exames feitos nos pacientes para verificar se foram ou não infectados pela gripe suína devem ser divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quarta-feira.

Um dos casos da Bahia refere-se a um homem de 40 anos que foi internado na noite de segunda-feira no hospital Otávio Mangabeira, em Salvador, apresentando febre e dor de garganta.

"Ele é brasileiro, vive em Boston e tem parentes em Salvador. Nós estamos monitorando o caso", disse Maria de Fátima Sá Guirra, epidemiologista da Secretaria Estadual da Saúde da Bahia.

"TERRORISMO"

"Até o momento, não há evidências de circulação do novo subtipo do vírus da influenza suína A (H1N1) no Brasil", informou o Ministério da Saúde em uma nota na noite de segunda-feira.

No comunicado, o ministério afirmou que todas as recomendações da OMS estão de acordo com medidas já adotadas no país, "em especial aquelas referentes à não restrição às viagens internacionais e à orientação para procura de atendimento médico, no caso dos viajantes procedentes das áreas afetadas que apresentem sintomas compatíveis com a influenza suína".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não há motivo fazer "terrorismo" em cima da doença no Brasil.

"O Brasil está preparado, nós temos remédios para atender as pessoas, vamos fazer fiscalização rígida nos aeroportos, para que a gente evite que essa doença chegue ao Brasil", disse Lula. "Esse é um momento de cautela, um momento de prevenção, e não um momento de se fazer terrorismo com uma coisa que não chegou aqui."

O novo vírus já matou até 149 pessoas no México, e a OMS elevou na segunda-feira o seu nível de alerta contra a gripe suína para a fase 4 (numa escala que vai de 1 a 6), indicando um risco ampliado de pandemia (epidemia global). A última pandemia, da chamada "gripe de Hong Kong", em 1968, matou cerca de 1 milhão de pessoas.

Além dos casos no México, EUA e Canadá, a doença foi registrada também na Espanha, na Escócia, em Israel e na Nova Zelândia.

MISSIONÁRIOS EM QUARENTENA

Um grupo de sete missionários mexicanos foi posto em quarentena ao desembarcar na manhã desta terça-feira, em belo Horizonte, por temor de serem portadores do vírus da gripe suína.

O grupo chegou do México no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, na segunda-feira, e seguiu de ônibus para Belo Horizonte. A Secretaria de Saúde de Belo Horizonte já havia sido alertada sobre a chegada dos missionários e os abordou ainda na rodoviária da capital.

A secretaria informou que os missionários não apresentam nenhum sintoma, mas foram orientados a manter isolamento até que seja afastado o risco de estarem contagiados pela doença -- que, segundo infectologistas, se manifesta entre seis e dez dias.

(Por Ana Paula Paiva e Fábio Murakawa, em São Paulo, com reportagem adicional de Marcelo Portela em Belo Horizonte; edição de Maria Pia Palermo)

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