Governo mobiliza aliados para votar LDO amanhã

Com a ajuda da cúpula peemedebista, o governo mobilizou seus aliados para apressar a votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010. A ordem é votar a LDO na Comissão Mista de Orçamento amanhã e encaminhá-la à apreciação do plenário do Congresso na quinta-feira.

Agência Estado |

Como a Constituição determina que o Congresso não pode entrar em recesso no dia 17 de julho sem antes aprovar a LDO, o governo acionou os líderes aliados para agilizar os entendimentos na Comissão. A antecipação do recesso permitiria retirar o foco da crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Coube ao PMDB acionar o presidente da Comissão de Orçamento, senador Almeida Lima (PMDB-SE). "As divergências são poucas e de fácil solução. Encerraremos a votação na quarta, sem dúvida alguma", disse Lima, explicando que as regras regimentais não permitem pedido de vistas a esta altura. Confiante na informação, a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), pediu ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), no início da tarde de hoje, a reserva do plenário da Casa. Como a LDO é apreciada em sessão conjunta de deputados e senadores, a preferência geral é pelo plenário da Câmara, que é bem maior que o do Senado.

Ao mesmo tempo em que Ideli garantia o espaço para a sessão de votação, os líderes dos partidos aliados foram orientados a mobilizar suas bancadas. A preocupação do governo, agora, é garantir quórum para a LDO na quinta-feira, quando se encerra a semana do Congresso e os parlamentares costumam embarcar de volta aos Estados logo cedo. Colaboradores mais próximos do presidente Lula admitem que não será tarefa fácil.

O Planalto também investe nas férias do Legislativo para acalmar o PT, que não esconde o desconforto de ter de apoiar Sarney, em nome da parceria estratégica com o PMDB em 2010, a despeito das denúncias que pesam sobre ele. O entendimento neste caso é de que o recesso será útil para evitar que a bancada petista contrarie o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestando-se mais uma vez, e em caráter oficial, a favor da licença de Sarney.

Petrobras

A reunião dos petistas que discutiria esta questão hoje foi adiada para o meio-dia de amanhã, mas a pauta pode ser outra: a CPI da Petrobras, reclamada pelos partidos de oposição. O adiamento da reunião da bancada petista foi provocado por dois aliados de Sarney na bancada: o senador Delcídio Amaral (MS), que atrasou sua chegada a Brasília, e a líder Ideli, que pediu licença para acompanhar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em viagem a São Paulo. A senadora argumentou que a agenda política da ministra com empresários da construção civil foi organizada por ela e não havia como faltar ao compromisso.

Ainda assim, havendo reunião, será difícil escapar do debate em torno da proposta de licença de Sarney. A senadora Marina Silva (PT-AC) argumenta que " a reunião precisa acontecer" até pelo conjunto de sugestões administrativas que a bancada quer apresentar à Mesa Diretora. Ela admite que não há como desvincular a sucessão presidencial de 2010 do debate em torno da licença de Sarney, que a maioria da bancada defende. "A vinculação existe e é óbvia. O que não pode haver é subordinação de uma questão (a licença) à outra (eleição presidencial)".

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