Governo manobra para acabar com a CPI dos Cartões Corporativos no dia 29

O relator da CPMI dos Cartões Corporativos, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), está disposto a apresentar seu relatório na próxima quinta-feira (29), mesmo que a comissão não faça a acareação entre o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil da Presidência da República José Aparecido Nunes Pires e o assessor do Senado André Eduardo da Silva Fernandes. Aparecido teria enviado para Fernandes, por e-mail, os dados sobre o uso de cartões no Governo FHC.

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Senadora Maria Serrano e deputado Luiz Sérgio

Para Luiz Sérgio, a acareação é irrelevante, pois o assunto "está esgotado" e a Polícia Federal já investiga se houve irregularidades na elaboração e divulgação do suposto dossiê. "A CPI não tem a competência da Polícia Federal para investigar quem fez ou quem vazou o dossiê", acredita Luiz Sérgio.

Manobra governista

Deputados da oposição vêem nessa "pressa" em votar o relatório uma manobra do governo em "sepultar" a CPMI, que tem prazo de funcionamento até o dia 8 de junho. Nesta quarta-feira (21), a CPMI suspendeu a continuação do depoimento de José Aparecido Pires, iniciado um dia antes, porque os quatro parlamentares inscritos para fazer questionamentos ao ex-secretário estavam ausentes do plenário: os deputados Marcelo Guimarães Filho (PMDB-BA), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e Nilson Mourão (PT-AC) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Mourão chegou a entrar na sala da comissão, mas saiu antes da sessão. Ribeiro chegou após o cancelamento da audiência.

Diante da ausência, a presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), decidiu cancelar a audiência por falta de quorum e transferiu para terça-feira (27) a votação dos requerimentos que pedem a acareação e a convocação de outros dois técnicos da Casa Civil supostamente envolvidos na produção do dossiê: o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz, e o assistente de auditoria da Secretaria de Controle Interno Marcelo Veloso Nascimento. "Vamos votar todos os requerimentos. Mas, se eles forem rejeitados, vamos começar a leitura dos relatórios setoriais e do principal", anunciou Marisa.

Indiciamento

O deputado Índio da Costa (DEM-RJ), que é sub-relator de fiscalização de gastos da CPMI, defendeu a realização da acareação e acredita que ainda há muito trabalho a ser feito. "Não acho possível acabar com a CPI na semana que vem. Sou sub-relator e tenho muito trabalho." Ele adiantou que pedirá o indiciamento de "centenas de pessoas" que teriam usado de forma irregular o cartão corporativo, "inclusive ministros de Estado".

Outro que apóia a acareação é o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que vê mais possibilidade de o requerimento ser aprovado na próxima terça, com a presença de um número maior de integrantes da CPMI. "O importante é a acareação, e o Brasil vai ter condições de saber efetivamente quem quer a verdade e quem não quer. Quem votar contra a acareação é porque não quer a verdade."

Chico Alencar (Psol-RJ) disse que o fim da CPMI sem a acareação agrada o governo e setores da oposição, uma vez que evitaria a exposição de supostas irregularidades cometidas nos governos FHC e Lula. "O ânimo de acabar com a CPMI é infinitamente maior do que o de investigar, porque o aprofundamento pode afetar os dois pólos de poder", definiu.

A improbabilidade de realização da acareação pode ser percebida pela posição declarada do próprio autor do requerimento, deputado Carlos Willian (PTC-MG), que votará contra. Para ele, a CPI não tem mais o que investigar no caso do dossiê. "Vou votar contra. Vamos partir para o relatório porque temos coisas mais importantes para fazer", disse.

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